Article épinglé

samedi 31 octobre 2026

ALCOA, República de Guiné e Galiza

 

 
Mina en Guiné-Conakri

A República da Guiné, geralmente denominada Guiné-Conakri para distingui-la da Guiné Ecuatorial e de Guiné-Bissau, é uma ex-colónia francesa dos territórios conquistados polos franceses aos portugueses de Guiné-Bissau, teoricamente independente, mas na prática sempre governada por ditaduras militares instauradas com golpes de estado, onde seus governos estão formados por diretivos de empresas mineiras.

A Guiné é propriedade das empresas mineiras que se reparem o país entre elas. De facto, 90% da superfície do país são concesões mineiras. A maior companhia mineira de Guiné é a Compagnie des Bauxites de Guinée (CBG), que exportou em 2025 mais de 150 milhões de toneladas de bauxita sendo o 3º maior produtor do mundo no país com maiores reservas do planeta deste mineral. CBG em teoría é uma empresa estatal, na prática é propiedade do consórcio HALCO MINING INC., que à sua vez está formado por ALCOA (Aluminium Company of America) com uma pequeníssima participação de Rio Tinto Group e Dacdco Investments. A CBG possui o monopólio da bauxita, tendo até 2038 o direito exclusivo sobre 100% dos recursos, reservas e zonas de investigação do país. Após do golpe de estado de 2021, HALCO, ou seja, ALCOA governa o país mediante ditadura militar.

Graças á mineração, Guiné passou de ser um dos países mais ricos em termos de qualidade de vida e esperança de vida de África, onde sua população não sabia o que era a fome, a ser o terceiro país com a população mais pobre de África. Num paríso para a produção agrícola, que era há 40 anos ainda a atividade de 95% da população, sendo este país um dos principais exportadores na época colonial de café, ananás, péssegos, cítricos, bananas, tomates, hortalizas, maçãs, pêras, uvas, granadas, etc agora a agricultura quase não existe, e Guiné importa alimentos via ajuda humanitária. Dos 13 milhões de habitantes que têm Guiné, 67% passam fome e não tem casa. É o país com mais vagabundos de África, e procurar detritos no lixo a principal atividade da população. 70% da população foi deslocada devido a que as corporações mineradoras expropriaram suas terras e poluíram as águas. A poluição das águas por causa da mineração é o maior problema do país, pois apesar dos grandes rios e aquíferos, a gente apenas tem água potável. Atualmente a população concentra-se na costa, e principalmente na capital, Conakri, onde vive da mendicidade e da ajuda humanitária. A maior parte do 33% da população que não passa fome e tem habitação é porque conserva gado bovino, ovino e caprino em áreas que ainda que estão expropriadas para a mineração, a mesma ainda não começou.

Guiné tamém é colónia mineira para produção de ouro, diamantes, ferro e urânio em quantidades astronómicas, mas nada comparado com a bauxita. Contudo, a bauxita chegou a seu pico de produção (similar ao «peak oil» do que fala Antorio Turiel) em 2016, e desde então a produção está em decrescimento. A modo de exemplo, a maior mina de bauxita da Guiné, a de Sangarédi, foi baixando a produção de 28 milhões de toneladas em 2016, a 18 milhões em 2021, e a 14 milhões em 2025, deixando de ser a maior mina de bauxita do mundo, que na atualidade é a mina de Trombetas, no estado do Pará em Brasil, que produz mais de 20 milhões de toneladas anuais, e é propriedade do consórcio «Mineração Rio do Norte», onde o principal acionista é também ALCOA, em parceria com Vale, Rio Tinto Group, CBA, e Hydro. A queda da produção por esgotamento em Guiné, que é a que se traz a S. Cibrão em barco, é o motivo do paulatino abandono das instalações de ALCOA em Europa e a inversão nas que tem no Brasil, já que é onde está agora sua maior e mais barata mina.

A bauxita extraída na mina precisa ser refinada, um processo consistente na transformação do mineral bruto em alúmina (óxido de alumínio) mediante o processo Bayer, consistente na trituração e tratamento com sosa cáustica a alta temperatura para separar essa alúmina (óxido de alumínio puro) dos resíduos, que são altamente perigosos por causa de serem tóxicos, corrosivos, cancerígenos, e com alto conteúdo de metais pesados e até elementos radioativos.

O processo de refinado, amais de gerar esses resíduos tão perigosos, também requer altíssimas quantidades de energia. Em Guiné a CBG tem 4 refinarias, mas a Guiné é um pais deficitário de energia, absolutamente dependente do petróleo, e os custos energéticos aumentam consideravelmente com o pico do petróleo, assim que ALCOA prefire refinar bauxita noutro país do terceiro mundo, uma colónia espanhola chamada Galiza. Neste terceiro mundo europeu tem energia praticamente grátis, pois o governo amigo financia os custos energéticos, e pode armazenar os resíduos altamente perigosos numa montanha de veneno (balsa de lodos) sem qualquer problema. A sosa cáustica do processo e os venenos líquidos vertem-se no mar por dous emisários submarinos ilegais. A administração consente e o povo cala.

O terceiro mundo sempre assume os custos ambientais, e na Galiza, ainda os energéticos, que são pagos na factura da luz de da gente cada mês. Na Galiza nem a terceiro mundo africano chegamos!

Eu pergunto-me como é que essas pessoas tão de esquerdas, tão solidárias, tão pacifistas, tão democratas, tão ecologistas, tão internacionalistas, tão humanas e sensíveis com os problemas do mundo, como é que não conseguem enxergar que a bauxita que uma corporação imperialista ianqui descarrega no porto de S. Cibrão não aparece lá por arte de magia e tem uns custos humanos e ambientais inaceptáveis, e que não só os paga o povo da Guiné, senão também o povo galego.
 
*** 
 
San Cibrão
 
O Serviço Galego de Saúde (SERGAS) dispõe dum serviço, o REGAT (Registro Galego de Tumores) que registra de forma detalhada e continuada os casos de cancro diagnosticados na Galiza segundo áreas hospitalares, o que permite estabelecer um mapa comarcal de incidência de cancro por cada 100.000 habitantes, desglosado por idades, sexos, etc.

Em 2025 publicou-se o último informe conhecido do REGAT, correspondente ao ano 2022. É dizer, o informe ocultou-se 3 anos e desde aquela o SERGAS tem uma total opacidade em relação ao REGAT, não publicando mais informes e denegando o acesso a dados que constantemente lhe pedimos diversas associações ambientalistas e de luta contra o cancro, assim como plataformas em defensa da sanidade pública.

Segundo o informe REGAT 2022, a comarca da Marinha Lucense tem um índice de incidencia alarmantemente alto: 860 casos por 100.000 habitantes. Para estabelecer uma comparativa, segundo os registros equivalentes a nível europeu da European Network of Cancer Registries (ENCR), a média europeia era nesse ano de 280 casos por 100.000 habitantes, e este organismo alertava da altíssima incidencia em Dinamarca, com 374 casos por 100.000 habitantes. É dizer, a Marinha Lucense duplica a maior das incidências de Europa.

Isto é lógico, tendo em conta que ALCOA emite desde 1979 com total impunidade todo tipo de substâncias cancerígenas à atmosfera, ao mar, e ás águas subterrâneas, pois esta empresa até dispõe de autorização para injetar águas altamente poluídas e carregadas de substâncias altamente cancerígenas ao subsolo, poluíndo as águas subterrâneas. Todos esses venenos há muito que estão na cadeia alimentar, e os marinhãos respiram, comem e bebem substâncias cancerígenas. Bom, não todos, por exemplo Néstor Rego defende ALCOA desde Compostela ou Madri, sem se expor a isso no seu Vicedo natal.

ALCOA dispõe neste momento duma Autorização Ambiental Integrada (AAI) feita à carta. Deu-lha o bipartito (ou mais concretamente o BNG) em 2008 permitindo todo tipo de poluição e com valores limite altíssimos. Apesar disso, ALCOA ultrapassa constantemente esses valores, mais não se passa nada, porque as denúncias não se tramitam, e a AAI foi-se revisando para «adaptá-la às necessidades da empresa». Por exemplo, os valores limites de emisão de flúor mensais eram de 8 mg/l, mas como em 2017 houve uma denúncia por emitir o 16 mg/l (o duplo) a Junta modificou a AAI elevando esse valor limite a 17 mg/l, e tudo legal! E assim por diante. Isso sim, a explotação de pitaia e frutos exóticos Tropic Gaia em Morás foi clausurada pola Junta e proibida a comercialização de seus produtos por serem inaptos para o consumo por causa da presença de compostos perfluorados altamente cancerígenos provenientes das nuvens de pó vermelho que leva o vento da balsa de lodos tóxicos. O mesmo aconteceu com dúzias de explotações leiteiras, e de facto, apenas há já produção de leite na comarca porque é inapto para o consumo humano: presença de perfluorados, mercúrio, metais pesados, etc

Evidentemente, ALCOA nem se fecha, nem se condena, nem se sanciona, nem se lhe impõem medidas contra a poluição. Em vez disso, o que se faz é o seguinte:

1º) Ocultam-se os dados do REGAT desde 2022

2º) Os medidores de poluição são eliminados ou transladados a outros lugares

3º) Faz-se greenwashing (lavado de imagem) mediante a ALCOA Foundation neutralizando as entidades sensíveis com este tema.

Disto último deixo dous exemplos bem ilustrativos:


- «Como parte de la campaña internacional de Impacto Comunitario de la Fundación Alcoa, el equipo de San Ciprián se ha unido a la Asociación Esperanza Contra o Cancro de Burela para organizar una jornada de deporte, música y solidaridad.» (https://www.facebook.com/alcoa/posts/como-parte-de-la-campa%C3%B1a-internacional-de-impacto-comunitario-de-la-fundaci%C3%B3n-al/1403549888476464/)