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mardi 24 mars 2026

Orson Welles et les lettristes


 
Extrait du documentaire "Around the World with Orson Welles" St. Germain des Prés (1955)

Librairie Fischbacher, 33 rue de Seine, Paris 6e

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.
Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Galería

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Galería

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

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