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mardi 24 mars 2026

Orson Welles et les lettristes


 
Extrait du documentaire "Around the World with Orson Welles" St. Germain des Prés (1955)

Librairie Fischbacher, 33 rue de Seine, Paris 6e

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.
Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Galería

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Galería

Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

Gustavo Dalaqua. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e investigador associado da Association for Global Political Thought, Universidade Harvard.

Ciudad: Rio de Janeiro
Productor: Ministério da Educação e Cultura Brasil
Personas Vinculadas: Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Anísio Teixeira, Cândido Mendes, Carlos Estevam Martins, Celso Furtado, Ewaldo Correia Lima, Helga Hoffmann, Ignácio Rangel, Nelson Werneck Sodré, Roberto Campos, Roland Corbisier, Wanderley Guilherme dos Santos.
Ubicación: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
País: Brasil

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das Ciências Sociais, notadamente da Economia, da Sociologia, da Política, da História e da Filosofia, a fim de aplicar as categorias e os métodos dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira, tendo em vista a elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento.

— Roland Corbisier, 1957

De momento, incumbe-nos compreender que cada vez mais precisamos entrelaçar relações de amizade e ação comum com os povos asiáticos, africanos e os do nosso próprio continente, que se encontram em situação semelhante à nossa. Com este movimento, quebraremos o esquema da dominação imperialista, que só funciona a contento com o parcelamento da polaridade entre o centro e a periferia.

— Álvaro Vieira Pinto,1960

As raízes do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) remontam a um grupo de estudos criado por Hélio Jaguaribe, em 1953, que buscava investigar as causas do subdesenvolvimento e do desenvolvimento. À época, a intelectualidade brasileira encontrava-se em plena euforia desenvolvimentista. Em 1950, Getúlio Vargas fora democraticamente eleito presidente do Brasil. Influenciado pela CEPAL, o governo Vargas teve o mérito de combinar altas taxas de crescimento econômico com políticas redistributivas favoráveis à classe trabalhadora. Alguns membros do grupo de Jaguaribe eram próximos da administração varguista e solicitaram ao governo a criação de um instituto de pesquisa. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi receptivo à proposta. O suicídio de Vargas em 1954, entretanto, fez com que se adiasse por quase um ano a criação de um centro de pesquisa dedicado a pensar o desenvolvimento. 

Em julho de 1955 o Presidente João Café Filho criou, por meio de decreto, o ISEB. Vinculado ao MEC, o ISEB fora concebido como um centro permanente de altos estudos de nível pós-universitário com cinco departamentos: Economia, Filosofia, História, Política e Sociologia. Durante seus quase nove anos de existência, o ISEB percorreu três fases. A primeira delas abrigou duas vertentes concorrentes. Enquanto docentes como Jaguaribe e Roberto Campos postulavam a hegemonia da burguesia industrial no processo do desenvolvimento nacional, professores como Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré entendiam que o desenvolvimento deveria ser liderado pelas massas populares. Esta primeira fase coincidiu com o período de maior financiamento do Instituto e grande proximidade com o governo. 

Em 1958, Jaguaribe publica O nacionalismo na atualidade brasileira. O livro gera polêmica dentro e fora do Instituto porque defende a privatização do setor petroquímico e o capital estrangeiro. O Conselho Curador do ISEB marcou uma reunião especial para discutir a repercussão da obra. Depois dessa crise, todos os professores que se incomodavam com o “proselitismo militante” de alguns isebianos de esquerda saíram do Instituto (Jaguaribe, 2014, p. 238).

A segunda fase do ISEB começa em 1959 e vai até 1961. De acordo com um dos professores que saíram do Instituto no final dos anos cinquenta, a partir de sua segunda fase, “o ISEB se transformou numa agência eleitoreira, e ultimamente, numa escola de marxismo” (apud Toledo, 1977, p. 188). Embora exagerado, o relato de que o ISEB teria se tornado “eleitoreiro” é compreensível porque, em 1960, Corbisier concorreu ao cargo de deputado estadual e se valeu do Instituto como plataforma para a sua campanha. Difundia-se entre os isebianos a ideia de que eles deveriam não apenas compreender a realidade brasileira, mas também transformá-la. Por isso, a formação de futuros estadistas passou a ser vista como uma das funções do Instituto.

Em 1961, Corbisier tornou-se deputado estadual e, portanto, teve de se afastar do ISEB. Logo em seguida, Vieira Pinto assumiu a direção do Instituto. A terceira fase se inicia com a direção de Vieira Pinto e termina uma semana após o golpe de Estado de 1964, quando o ISEB é fechado pelos militares. Esta fase coincide com a radicalização do populismo presenciada durante o governo de João Goulart (1961–1964) e com a quase inexistência de financiamento governamental para o Instituto. 

À medida que o contexto político brasileiro se radicalizava, a produção teórica do ISEB também se radicalizava. O chamado “último ISEB” teve um engajamento tão forte com os movimentos sociais de esquerda e com o Partido Comunista Brasileiro que alguns intérpretes o classificaram de organização agitprop. De 1962 em diante, os membros do Instituto consideravam o país em vias de ingressar em um momento revolucionário, conduzido pelo próprio processo de radicalização do governo Goulart. Diante dessas circunstâncias, o ISEB se constituiu em um dos centros de pressão para incrementar tal radicalização. Concebido inicialmente como um centro irradiador do nacional-desenvolvimentismo de Kubitschek, o ISEB se tornara um polo difusor da revolução brasileira. 

Esclareça-se, todavia, que a mudança não significa um abandono da preocupação com o desenvolvimento. É equivocado reduzir “desenvolvimento” e “desenvolvimentismo” a discursos que seriam necessariamente anti-emancipatórios. Filho das teorias do progresso da Filosofia Moderna, o desenvolvimentismo compõe-se de duas teses centrais. A primeira delas consiste no etapismo, ou seja, na crença de que a história tem diferentes etapas e de que o desenvolvimento aumenta conforme se passa de uma etapa a outra. A segunda tese central do desenvolvimentismo é a de que a passagem de uma etapa inferior a outra superior não é aleatória, mas sim regida por determinadas causas. Ainda que tenha sido mobilizado para justificar a dominação dos povos outrora colonizados pelos europeus, o desenvolvimentismo é compatível com projetos de emancipação social. Um dos aspectos mais interessantes do ISEB foi o desenvolvimentismo anticolonial produzido em sua última fase (Dalaqua, 2024). Ao passo que, na primeira fase do ISEB, o desenvolvimento era visto como um processo alinhado ao capitalismo e à democracia burguesa, no apagar das luzes do Instituto, os isebianos passaram a afirmar que a revolução socialista e a união dos movimentos libertadores da América Latina, África e Ásia seriam os principais motores do desenvolvimento.

Livros publicados pela Editora do ISEB:

Corbisier, R. (1958). Formação e problema da cultura brasileira. ISEB.


Corbisier, R. (1960). Brasília e o desenvolvimento nacional. ISEB.


Furtado, C. (1959). A Operação Nordeste. ISEB.


Jaguaribe, H. (1958). O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB.


Mendes, C. (1960). Perspectiva atual da América Latina. ISEB.

Pinto, A. V. (1956). Ideologia e desenvolvimento nacional. ISEB.


Pinto, A. V. (1960). Consciência e realidade nacional (Vols. 1–2). ISEB.


Ramos, A. G. (1958). A redução sociológica. ISEB.


Sodré, N. W. (1957). As classes sociais no Brasil. ISEB.

Publicações sobre o ISEB:

Botelho, A., Bastos, E. R., & Villas Bôas, G. (Orgs.). (2008). O moderno em questão: a década de 1950 no Brasil. Topbooks.

Dalaqua, G. H. (2023). Populismo e democracia: reflexões a partir de Álvaro Vieira Pinto. Novos Estudos CEBRAP42(2), 293–312.

https://doi.org/10.25091/S01013300202300020004

Dalaqua, G. H. (2024). Revolution in Populism: Anticolonial Developmentalism in Brazil’s Populist Republic. The Journal of Imperial and Commonwealth History, 52(6), 969‑1002. https://doi.org/10.1080/03086534.2024.2445010

Gonçalves, D. S. M. (2020). Ciência e política, ciência ou política: o ISEB e suas duas vocações. Revista Estudos Políticos, 9(2), 24–41. 

https://doi.org/10.22409/rep.v9i18.40573

Jaguaribe, H. (2014). ISEB: um breve depoimento e uma reapreciação crítica. Cadernos do Desenvolvimento, 9(14), 231–260.

Souza, N. A., &  Capovilla, C. (Orgs.). (2021). Dossiê temático: o ISEB e o desenvolvimento nacional. Princípios, 40(162), 4–202.

Toledo, C. N. (1977). ISEB: fábrica de ideologias. Ática.

Toledo, C. N. (1998). Intelectuais do ISEB, esquerda e marxismo. In J. Q. Moraes (Org.), História do marxismo no Brasil (Vol. 3, pp. 245–274). Editora da Unicamp.

Toledo, C. N. (Org.). (2005). Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Revan.

Otros enlaces:

https://memorialdademocracia.com.br/card/iseb-vai-pensar-o-desenvolvimento

Página do Memorial da Democracia sobre o ISEB.

https://www.achegas.net/numero/vinteeseis/anexo_bib_iseb_26.htm

Apresenta uma extensa lista de livros e artigos sobre o ISEB.

Galería

samedi 21 juin 2025

Dans Les Tricheurs (Marcel Carné, 1958), les bistrots fréquentés furent aussi ceux de l'Internationale lettriste

 Bistrots: La Pergola, Le Bonaparte, Aux Trois-Mailletz

Paris Jazz, Paris flipper, jukebox -->  Américanisation.

La bohème existentialiste commence à se faire dégager par la bohème Sagan, friquée.  

L'art du Néant n'était donc que la préfiguration de l'individualisme de masse et du aquoibonisme. 

 

 

FILM COMPLET: https://m.ok.ru/video/165857676759

 

Quand l'Internationale lettriste fréquentait les lieux 

 

--> La Pergola et Ivan Chtcheglov:

Il boit, et se met à fumer de la marijuana. Jean le Poète, un de leurs amis communs, écrit à Henry le 20 avril 1952: "Je ne sais si mon jugement est fondé en te disant qu'Ivan se force sur ton chemin. Il m'en donne l'impression, errant lamentable à La Pergola. Il passe son temps à se faire des tours de prestidigitation, conservant la naïveté du bon public. Il faut avoir de l'amitié pour lui pour croire en lui. Sa directive est pourtant bonne. Ses gestes ne sont néanmoins pas à la hauteur de sa pensée luciférienne".

Jean-Marie Apostolidès et Boris Donné, Ivan Chtcheglov, profil perdu, Allia, 2006, p. 45

 --> La Pergola et Patrick Straram:

La Pergola – ouvert toute la nuit –, bouquets de lumières criardes et vulgaires. Dans un coin un appareil à disques, teintes mauves et rouges acidulés, vitre en courbe, vingt francs l'audition, Miles Davis ou Yma Sumac, la déesse péruvienne. Au bar, aux tables, aux chiottes, des copains d'un soir, des filles d'une nuit, des inconnus, des indicateurs de police, des maquereaux, des planqués. Bizarre et dépravé cortège vautré dans la bière, le café crème et le scotch, les trompettes new-orléans, les rouges à lèvres éparpillés, les pantalons salis, les cacahuètes, les mêmes endormis sur un bout de banquette trop étroit, les fatigues et les délires.

Cavalcades d'harmonicas. Musiques à fleur de peau.

Dehors il commençait à faire froid, l'horloge du boulevard Saint-Germain marquait onze heures...

Patrick Straram, Les bouteilles se couchent, Allia, 2006, p. 13. 

 

– Gueulez moins, ordonna une voie descendue des airs, serpent ailé, Quetzalcoatl, et claqua une porte de La Pergola.

Le grand mystère de l'océan s'ouvrit à notre coque. Les hommes se tenaient au gaillard d'avant, les yeux fixés sur le gouffre hurlant d'une nuit d'hiver. 

Idem, p. 48. 

 

--> Aux Trois-Mailletz et Jean-Louis Brau:

Bigre que c'est loin, la Marche à l'Étoile Scellée, la Recherche des Mineures aux Trois-Mailletz, les Séances du Cabaret des Révoltés, la Marche au Quartier Chinois, l'Accès à Aubervilliers par le Port de la Villette, et d'autres, et d'autres. 

Jean-Louis Brau, Le Singe appliqué, Grasset, 1972, p. 56. 

 

 

mercredi 8 janvier 2025

Un Homme Marche Dans La Ville (Marcello Pagliero, 1949)

    EXTRAIT YOUTUBE:

 

 

    FILM COMPLET: 

https://m.ok.ru/video/1682563598958

 

Mr GILI, sur PAGLIERO, "l'italien de Saint-Germain-des-Prés":


 

 SYNOPSIS ET COMMENTAIRE:

Rédigé par alexandre clement et publié depuis Overblog

 Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949

C’est un film assez particulier. Une sorte de produit hybride entre le film noir et le drame social. Il a été réalisé par Marcello Pagliero qui n’est pas très connu en tant que réalisateur, si ce n’est pour son adaptation de la pièce de Jean-Paul Sartre, La p… respectueuse. Il a été aussi acteur et son nom se retrouve au générique d’un film malheureusement invisible aujourd’hui, de Jacques Deray, Symphonie pour un massacre. Franco-italien, il a fait carrière des deux côtés des Alpes.

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

On ne connait pas grand-chose de Jean Jausion[1] qui est à l’origine du roman. On sait que ce fut un jeune homme de bonne famille, plutôt porté vers la poésie et la littérature, il participa à des groupes littéraires plutôt proche des tendances surréalistes. Il était amoureux d’une jeune femme juive, Annette Zelman, avec qui il devait se marier, mais ce mariage n’eut pas lieu car le propre père de Jean Jausion la dénonça aux Allemands et elle fut déportée et mourut en juin 1942 à Auschwitz. Jean Jausion s’engagea dans la Résistance, participa à la Libération de Paris, puis fut tué en Allemagne alors qu’il s’y trouvait comme reporter de guerre. Son livre, son seul roman, sera publié de manière posthume en 1945 par Gallimard[2].   

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

L’embauche sur les docks  

Sur les docks du Havre, la vie est dure, l’embauche irrégulière et la paye maigre. Les dockers ont du mal à joindre les deux bouts et plus encore à se loger dans une ville ravagée par la guerre. Laurent est un de ceux-là, ouvrier mal embouché, il a un petit garçon avec Madeleine que son patron drague ostensiblement. Jean qui est chef d’équipe est son copain. Mais quand Laurent lui demande d’intercéder auprès du patron pour avoir une meilleure place, Jean va se heurter à une fin de non-recevoir, Ambilares « n’aime pas sa gueule ». Laurent lui en veut, comme il en veut à sa propre femme. Un jour qu’il travaille avec un noir un peu malade, ce dernier tombe de fatigue, le patron en profite pour virer Laurent. Ce dernier est d’autant plus en colère que sa femme est partie draguer Jean dans la ville. De fil en aiguille, et avec plusieurs verres dans le nez, Laurent va chercher à frapper Jean dans une partie déserte du port. Mais il s’est trompé de personne et a engagé une bataille avec un autre docker ivre qui le rosse et le projette dans la fosse où on répare les bateaux. Laurent meurt. Péniblement le lendemain on remontera son corps. La police évidemment mène l’enquête. Madeleine veut croire que c’est Jean qui, par amour, a tué Laurent. Celui-ci essaie de lui dire qu’elle fait fausse route, mais elle ne veut rien comprendre. La sœur de Madeleine est venue la soutenir dans l’épreuve, et Jean revient le lendemain pour porter une collecte que les ouvriers ont faite pour soutenir Madeleine et son gosse. Madeleine s’entête. Elle n’ira même pas à l’enterrement. D’abord elle relance Jean jusqu’au bistrot où il se noircit proprement, il l’envoie promener sans trop de ménagement, ensuite elle va le dénoncer à la police comme le meurtrier de son mari. Mais le commissaire qui a déjà enquêté sur Jean, ne semble pas trop la croire. Bientôt Jean est innocenté. Il s’en va voir Madeleine pour lui pardonner son attitude, mais c’est trop tard, elle s’est suicidée de désespoir. 

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

Entre Laurent et Madeleine rien ne va plus  

Le film comporte deux parties distinctes : il y a d’abord la misère ouvrière et les dégâts qu’elle engendre dans les familles. C’est raconté avec beaucoup de minutie, avec un sens du décor très réaliste. Les conditions de travail sont dures, et les intérieurs des maisons, misérables. Cela mène au drame, c’est-à-dire à la rupture de l’amitié entre Jean et Laurent, et la mort de celui-ci puis l’enquête policière qui forme la seconde partie. Ces deux parties sont très équilibrées, mais elles sont filmées de manière assez différente. La première partie met en scène le jour et le travail, la foule et les bateaux qu’on répare où qu’on décharge. La seconde se passe plutôt la nuit, les individus sont détachés de leurs fonctions, isolés par des ombres menaçantes. Si la première partie ressort de la littérature prolétarienne ou du néo-réalisme italien, la seconde se rapproche du film noir par l’utilisation des codes visuels. Mais il y a en plus quelque chose de poétique dans cette errance de Jean, ou même dans la manière des ouvriers de lever le coude. On boit en effet beaucoup, tellement même que le patron du bistrot cherche à freiner les consommations. 

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

Dans une bagarre, Laurent fait une chute mortelle  

L’atmosphère du film rappelle par moment L’Atalante, le chef d’œuvre de Jean Vigo. La ville du Havre est un personnage à part entière. Mais à l’époque c’est encore une ville en ruine, à l’image de ces vies prolétaires qui n’ont pas d’avenir. Elle a été en effet douloureusement touchée par les bombardements alliés, notamment britanniques, elle en a subi 132, et sa plus grande partie est rasée ! C’est la ville de Raymond Queneau qui disait ne plus la reconnaître, même si après la Libération on a mis des moyens importants pour la reconstruire. Le film se passe donc pendant cette reconstruction. La ville est marquée par son passé ouvrier, mais aussi par l’attrait du grand large. C’est bien ces lieux qui sont représentés dans le cinéma d’avant-guerre, Quai des brumes par exemple. L’attrait du grand-large, c’est forcément une ouverture sur le rêve. C’est à partir du Havre qu’on s’embarquait sur des grands paquebots pour aller en Amérique. Frédéric Dard dans les années cinquante célèbrera cette possibilité dans plusieurs San-Antonio, mais aussi dans des films comme L’étrange Monsieur Steve ou Trois jours à vivre. Evidemment la démocratisation de l’aviation a tué ce rêve de navigation au grand-large. Dans quelques scènes, Pagliero filmera des bateaux qui s’en vont au loin, comme s’ils avaient de la chance de pouvoir fuir cette ville en ruine. Et de fait cette mer si vaste et si calme dans le film s’oppose aussi bien à la fureur des hommes qu’au délabrement de la ville. Mais il reste encore quelques rues sombres autour du port, des rues où il peut se passer beaucoup de drames. 

C’est l’occasion aussi de célébrer des figures centrales de l’imagerie populaire de ces temps-là. Le bistrotier, ancien boxeur, un peu traficoteur, notamment avec un Allemand un peu simple qui lui procure de l’alcool. La pute plutôt sympathique qui de temps à autre reçoit aussi un peu des gnons, et le gosse mélancolique et solitaire de Laurent et Madeleine qui ne dit jamais rien, subissant déjà les aléas de la vie et les moqueries de ses camarades. Le commissaire n’est pas tout à fait bon-enfant, mais enfin il fait son métier sans être trop pointilleux, comme s’il comprenait la misère dans laquelle baigne cette population qu’il est chargé de surveiller. Le patron, Ambilares, un rien concupiscant, pas très loyal avec ses employés, a aussi des réflexes humains, il aimerait bien que Madeleine le regarde un peu. Ça n’arrivera pas, elle est bien trop accrochée à son idéal ouvrier. Question de classe si on veut. Elle n’est pas très loyale pourtant avec son propre mari, mais de là à trahir sa classe, il y a un pas qu’elle ne franchira pas. Il y a aussi quelque chose de très juste dans les habits usés et mal foutus que portent les différents protagonistes, ça ne fait pas déguisement. Les prolos portent la casquette avec laquelle ils jouent parfois. 

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

La sœur de Madeleine est venue lui apporter son soutien  

La distribution est adéquate à son sujet. Comme le film se passe dans un milieu pauvre et prolétarien, on ne pouvait pas prendre des acteurs trop glamour. Le film est construit autour de Jean-Pierre Kervien qui était né au Havre. C’est lui qui incarne le prolo Jean Sauviot à la morale rectiligne qui ne veut même pas regarder la femme d’un copain, malgré les relances incessantes de Madeleine. Il faut dire que Saviot est un homme que les femmes regardent, sur lequel elles se retournent. Kervien ne retrouvera plus jamais un tel rôle, il sera abonné aux seconds rôles et aux séries télévisées. Ginette Leclerc est Madeleine. C’est une garce, et Ginette Leclerc en a joué des tonnes. Dans l’imaginaire populaire elle était d’ailleurs associée à la femme de mauvaise vie, sans doute est-ce cela qui lui a procuré des ennuis sérieux à la Libération. Après tout elle s’était moins compromise qu’Arletty. Ici c’est bien une garce, mais elle a des excuses, elle est une victime de la misère et de la fatalité. Robert Dalban incarne Laurent. Il est vraiment excellent, sans doute un de ses meilleurs rôles à l’écran. Il est encore jeune, et ses traits ne sont pas déformés encore par l’alcool. C’est lui la véritable révélation du film. Il a l’air moins figé que les autres acteurs, plus naturel. Il faudrait citer aussi André Valmy dans le rôle du commissaire et Dora Doll dans celui de la pute au grand cœur. Et puis bien sûr Yves Deniau qui joue Albert, le patron du bistrot un peu neurasthénique. C’est un acteur assez fin, peu théâtral, bien qu’il soit par ailleurs chansonniers, et qu’on a vu un peu partout dans le cinéma français des années trente jusqu’à la fin des années cinquante. En 1951, il retrouvera Marcello Pagliero pour La rose rouge, un film à la gloire du célèbre cabaret de Saint-Germain des Prés. Il n’avait cependant qu’un physique de bistrotier qui lui limitait l’accès à des rôles importants. Grégoire Aslan est Ambilares, le patron des dockers, cauteleux et méchant, il est aussi très bien. On verra également Fréhel, la grande chanteuse réaliste, dans le rôle d’une sorte de maman qui couve toute une tripotée de noirs qui se font exploiter honteusement sans oser rien dire. 

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

Madeleine a donné rendez-vous à Jean  

Sur le plan cinématographique, il y a dans ce film quelques scènes vraiment magnifiques, la remontée du corps de Laurent depuis le fond de la fosse de réparation des navires, l’attente de madeleine qui a donné un rendez-vous aléatoire à Jean. Ou encore lorsque le commissaire raccompagne Madeleine après le départ du train qui emporte son fils qu’elle a confié à sa sœur. Il y a une composition des plans qui est tout à fait étonnante. Les scènes de bistrot sont peut-être plus banales, quoique très justes sur le plan poétique et réaliste. On peut citer encore la scène finale qui voit Jean s’éloigner de la maison de Madeleine parmi les décombres de la ville, tandis que celle-ci a mis fin à sa vie misérable.

C’est une très bonne surprise que de retrouver ce film un peu trop négligé par la critique, sans doute à l’époque on devait trouver qu’il sentait un peu trop la transpiration. En tous les cas il offre une sorte de témoignage, non pas documentaire, mais sur les rêveries d’une époque révolue, il cerne peut-être mieux que beaucoup de livres savants la mentalité prolétaire et ses désenchantements. 

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949  

Par dépit Madeleine dénonce Jean comme meurtrier

Un homme marche dans la ville, Marcel Pagliero, 1949 

Jean repart après avoir laissé une lettre à Madeleine



[1] http://www.leshommessansepaules.com/auteur-Jean_JAUSION-468-1-1-0-1.html

[2] Ce livre est très difficile à trouver, il se propose sur Internet à des prix tout à fait déraisonnables.