Christian Parenti joins The Grayzone's Max Blumenthal to discuss the revolutionary life and legacy of his father, the dissident political scientist Michael Parenti, who died on January 24, 2026 at age 92.
Christian details how his father emerged from a working class family in East Harlem to become one of the country's most outspoken Marxists, unapologetically defending socialist states across the globe while facing professional blacklisting and CIA surveillance.
He surveys Michael Parenti's major works, from "Democracy for the Few" to his groundbreaking study of corporate media, "Inventing Reality," along with "To Kill A Nation," which dismantled the Western propaganda deployed to justify NATO's destruction of Yugoslavia. They also discuss his clash with fellow leftists Noam Chomsky and Alexander Cockburn, who glibly dismissed theories about a US intelligence role in JFK's assassination.
While Michael Parenti aggressively defied the anti-communist liberal consensus, Christian argues that his father was also a pragmatist who welcomed democratic reforms within his own society. His accessible writing, charismatic speaking style and sense of humor have earned him a committed following that will endure for generations.
Nesta pequena cápsula desmontamos desde o marxismo e o materialismo histórico a tese do Tecnofeudalismo,
formulada por Yanis Varoufakis, que nos últimos anos ganhou ampla
difusão entre a progressia occidental. Segundo ela, o capitalismo teria
morrido e sido substituído por uma nova forma de feudalismo digital, no
qual as grandes plataformas tecnológicas funcionam como feudos, e nós,
usuários, trabalhadores e pequenos produtores, somos outra vez como
servos que pagam tributos aos novos senhores feudais, os Bezos,
Zuckerberg ou Musk.
A tese contém uma intuição correta e poderosa. Contudo, do ponto de vista do materialismo dialético,
ela é completamente insuficiente, parcial e mesmo contraproducente para
a classe trabalhadora tomar consciência da teoria correta que explica o
funcionamento do capitalismo e a sua superação. Este artigo procura
conservar integralmente as ideias apresentadas numa análise original dum
vídeo do canal marxista Frases de Marx, mostrando que o tecnofeudalismo
não é nenhuma lei tecnológica inevitável, mas o resultado histórico
concreto de determinadas relações entre capital, Estado e produção, sem
sair do modo de produção capitalista.
O caso da China desempenha aqui um papel central, pois demonstra
empiricamente que a mesma tecnologia digital e o seu avance pode gerar
resultados sociais e políticos radicalmente distintos.
1. A tese de Varoufakis: do capitalismo ao tecnofeudalismo
1.1. Capitalismo clássico e concorrência produtiva
No capitalismo clássico analisado por Marx no século XIX, a concorrência entre capitais dava-se fundamentalmente no terreno da produção.
Empresas como Ford e General Motors competiam fabricando automóveis.
Vencia quem conseguisse produzir mercadorias melhores e mais baratas.
A exploração capitalista manifestava-se através da apropriação direta da mais-valia:
o trabalhador produzia valor através do seu trabalho vivo, e o
capitalista apropriava-se diretamente desse valor excedente. Havia
exploração, mas havia também produção real de valor.
1.2. As plataformas digitais e a ruptura do modelo produtivo
As grandes plataformas digitais atuais — Amazon, Google,
Facebook/Meta — não funcionam segundo essa lógica. Elas praticamente não
produzem bens materiais. Não fabricam mercadorias no sentido clássico.
Ainda assim, são as empresas mais valorizadas do mundo.
O que fam, então? Controlam os territórios digitais
onde ocorre o comércio, a comunicação e a vida social contemporânea. São
donas do espaço no qual todos somos obrigados a circular.
1.3. A analogia feudal
Aqui Varoufakis acerta parcialmente ao estabelecer uma analogia com o
feudalismo medieval. O senhor feudal não produzia trigo nem fabricava
ferramentas. Era dono da terra. Quem quisesse produzir precisava usar
essa terra e pagar tributo.
O mesmo ocorre hoje em ocidente em versão digital. Para vender online
é necessário passar pola Amazon e pagar comissões que variam entre 15% e
45%. Não porque a Amazon crie valor ou melhore o produto, mas
simplesmente porque controla o território do mercado.
Estamos perante uma forma de extração de renda, não de criação de valor. Eis o núcleo da tese do tecnofeudalismo.
Os limites históricos e teóricos da metáfora feudal
Apesar da utilidade descritiva da noção de tecnofeudalismo, é
necessário introduzir aqui uma precisão conceitual importante. Do ponto
de vista histórico rigoroso, chamar à forma atual de dominação digital
um “feudalismo” constitui um exagero teórico.
No feudalismo propriamente dito, a terra era o meio de produção
fundamental. Os camponeses encontravam-se juridicamente ligados a ela, e
a relação com o senhor feudal era uma relação pessoal de dominação,
sancionada por vínculos jurídicos e políticos diretos. A exploração não
se dava através do mercado, mas através de obrigações extraeconómicas
explícitas como trabalho forçado gratuito, rendas em espécie, tributos
compulsórios e a submissão direta à autoridade jurídica e política do
senhor feudal.
No capitalismo digital contemporâneo, por mais concentrado e
assimétrico que seja o poder das plataformas, não existe uma relação de
servidão jurídica direta. Os trabalhadores, produtores e consumidores
continuam formalmente inseridos em relações de mercado, mediadas polo
salário, polo contrato e pola concorrência. As Big Tech não
dominam porque nos possuem juridicamente, mas porque controlam dados,
infraestruturas e posições monopolistas estratégicas.
Nesse sentido, o tecnofeudalismo funciona sobretudo como uma metáfora crítica,
útil para chamar a atenção para a concentração extrema de poder e para a
dependência tecnológica crescente, mas problemática se tomada como
categoria histórica ou económica literal. O risco é obscurecer a
compreensão do fenómeno enquanto forma específica do próprio
capitalismo, e não como um retorno real a um modo de produção
pré-capitalista.
É precisamente por isso que a análise deve avançar além da metáfora e
regressar às categorias centrais do materialismo histórico: relações de
produção, formas de apropriação do valor, e articulação entre capital e
Estado. Vejamos.
2. Extração de renda versus produção de valor
2.1. Diferença fundamental em relação ao capitalismo clássico
No capitalismo industrial, mesmo na exploração, havia produção de
valor real. No tecnofeudalismo descrito por Varoufakis, os senhores
feudais digitais não criam valor: limitam-se a extrair renda polo
controle do acesso.
Bezos não ajuda o vendedor a produzir melhor; cobra tributos por
permitir que ele venda. Zuckerberg não melhora a comunicação; cobra polo
acesso à própria audiência.
2.2. O tecnofeudalismo como fenómeno localizado
Se o tecnofeudalismo fosse uma consequência automática da tecnologia
digital, deveria manifestar-se em todos os países com plataformas
digitais avançadas. Mas isso não acontece.
E aqui surge a pergunta decisiva que Varoufakis não colocou de forma suficiente: por que razão na China não existem Jeff Bezos todo-poderosos?
3. O caso chinês: plataformas sem senhores feudais privados
3.1. Plataformas gigantes, mesma tecnologia. O caso Jack Ma
A China alberga algumas das maiores plataformas digitais do mundo. A
Alibaba supera a Amazon em volume de transações no comércio eletrónico, o
WeChat conta com mais de mil milhões de utilizadores ativos e o Douyin
domina amplamente o mercado de vídeo curto no país. A tecnologia
empregada é equivalente à ocidental: infraestruturas digitais avançadas,
algoritmos de recomendação semelhantes e modelos de plataforma
comparáveis.
A diferença decisiva não reside, portanto, na técnica, mas na relação
de poder. Em 2020, Jack Ma, fundador da Alibaba e então o homem mais
rico da China, criticou publicamente a regulação financeira chinesa — um
tipo de discurso habitual entre bilionários tecnológicos no Ocidente. A
resposta do Estado foi imediata: Jack Ma desapareceu da vida pública
durante meses, a Ant Group viu suspensa a maior IPO da história e foi
forçada a reestruturar-se, e a Alibaba foi fragmentada e submetida a
fortes sanções regulatórias.
Jack Ma permaneceu rico, mas perdeu qualquer autonomia política.
Deixou de ser um “senhor” de coisa alguma. Uma intervenção desta
magnitude seria impensável nos Estados Unidos ou na União Europeia.
3.2. A inversão da relação de poder
Na China, o Partido Comunista mantém o controlo material sobre os
grandes empresários tecnológicos; no Ocidente, ocorre o inverso, são os
magnatas das Big Tech a condicionarem diretamente o poder político. Quando
uma empresa chinesa acumula poder excessivo ou ameaça objetivos sociais
definidos polo Estado, é disciplinada, fragmentada ou reestruturada.
Um exemplo claro foi o setor da educação privada online, que
movimentava dezenas de milhares de milhões de dólares. Em 2021, o Estado
decidiu que a educação não podia ser um negócio lucrativo e proibiu a
atividade com fins lucrativos, destruindo em poucos dias grande parte do
valor bolsista do setor.
Estes casos mostram que, apesar da existência de plataformas privadas
gigantescas e da exploração capitalista do trabalho, não emergem na
China senhores feudais digitais autónomos. O capital tecnológico
permanece subordinado ao poder político estatal, e não o contrário.
4. Regime dos dados. Quem controla os dados controla o poder: China versus Ocidente
No capitalismo digital ocidental, os dados pessoais constituem uma
forma central de propriedade privada. As grandes plataformas
apropriam-se integralmente das informações geradas pola atividade
quotidiana dos utilizadores — comunicações, deslocações, hábitos de
consumo — e transformam-nas em mercadoria. Estes dados são monetizados através de publicidade dirigida, vendidos a terceiros ou utilizados para moldar e antecipar comportamentos, convertendo os próprios utilizadores em matéria-prima do processo de acumulação.
Este regime de propriedade privada dos dados confere às Big Tech um
poder económico e político extraordinário. Empresas como Google, Meta ou
Amazon controlam volumes de informação superiores aos de muitos
Estados, sem qualquer controlo público efetivo, o que lhes permite
influenciar mercados, processos políticos e dinâmicas sociais de larga
escala.
Na China, embora as plataformas também recolham dados em massa e
participem na exploração capitalista, estes não constituem propriedade
privada absoluta das empresas. O Estado mantém acesso legal e capacidade de intervenção direta sobre os fluxos de dados considerados estratégicos,
enquadrando as plataformas como gestoras subordinadas de
infraestruturas informacionais. Na prática, isto significa que os dados
não pertencem exclusivamente às empresas: as plataformas são
obrigadas a armazenar informação sensível em servidores localizados no
território nacional, a partilhar dados com autoridades reguladoras e a
integrar-se em sistemas públicos de supervisão, como ocorre com dados financeiros, logísticos, de mobilidade ou de comunicações.
Este modelo implica certos problemas de vigilância e controlo social,
mas impede que os dados se convertam numa base autónoma de poder
privado. Ao contrário do Ocidente, onde empresas como Google ou Meta
controlam sozinhas infraestruturas informacionais globais, na China nenhuma plataforma pode transformar os dados num recurso político independente do Estado.
Assim, a diferença fundamental não reside na quantidade de dados
recolhidos, mas na sua forma de propriedade e no tipo de poder que deles
deriva: no Ocidente, os dados reforçam a autonomia política do capital
tecnológico; na China, permanecem integrados numa estrutura de controlo
estatal que limita a formação de feudos digitais privados.
5. Capital produtivo e capital fictício: a chave marxista
Em O Capital, Marx distingue claramente o capital produtivo do capital fictício.
O primeiro investe em meios de produção e em trabalho vivo,
transformando materialmente a realidade e gerando valor novo através da
exploração da força de trabalho. Toda a riqueza social, por mais
abstrata que pareça, assenta em última instância neste processo material
de produção. Recomendamos aqui a leitura dos artigos de Capitalismo (I): Andrés Piqueras. Crises do Capitalismo. A fase terminal e Capitalismo (II): Trabalho Produtivo e Improdutivo, uma perspetiva marxista, com Andrés Piqueras analisando a diferença entre trabalho produtivo e improdutivo.
O capital fictício, polo contrário, apresenta-se como dinheiro que
gera mais dinheiro sem passar pola produção: ações, títulos, derivados
financeiros e valorização bolsista. Trata-se de uma forma fetichizada do
capital, que não cria valor, mas representa direitos de apropriação
sobre valor futuro ou redistribui valor produzido noutro lugar. Como
Marx já assinalava, este capital parece autonomizar-se da produção,
ocultando a sua dependência do trabalho vivo.
Desde os anos 1980, o Ocidente conheceu um processo profundo de financeirização.
A economia deslocou-se da indústria para os mercados financeiros: Wall
Street substituiu Detroit como centro dinâmico da acumulação. Hoje, uma
parte crescente dos lucros corporativos nos Estados Unidos provém de
atividades financeiras, enquanto a produção material foi deslocalizada
para outras regiões do mundo.
As grandes plataformas digitais ajustam-se perfeitamente a este
modelo financeirizado. Apesar de empregarem relativamente poucos
trabalhadores e produzirem poucos bens materiais, concentram
capitalizações bolsistas gigantescas, baseadas em expectativas futuras e
no controlo de infraestruturas digitais. A sua força não reside na
produção direta de valor, mas na capacidade de capturar rendas e atrair
fluxos financeiros, evitando as contradições clássicas da produção
industrial — sindicatos, greves, custos fixos elevados.
É neste contexto que o tecnofeudalismo emerge no Ocidente: não como
superação do capitalismo, mas como expressão extrema do domínio do
capital fictício sobre o capital produtivo.
6. Por que a China seguiu outro caminho
Ao contrário do Ocidente, a China nunca permitiu que o capital
financeiro se autonomizasse e subordinasse o capital produtivo. Desde o
início das reformas, a prioridade estratégica manteve-se na produção material:
indústria, manufatura, infraestrutura, energia e tecnologia aplicada à
produção. Ainda hoje, uma parte significativa do investimento total
concentra-se em setores produtivos, e a indústria continua a desempenhar
um papel central na criação de valor e no emprego.
Esta orientação materialista reflete-se na forma como as plataformas
digitais são integradas na economia. As grandes empresas tecnológicas
chinesas não substituem a produção por extração parasitária de renda,
como ocorre no Ocidente, mas funcionam sobretudo como instrumentos de apoio à circulação, logística, pagamentos e organização da produção. Quando tentam autonomizar-se como capital financeiro ou impor modelos rentistas, são rapidamente disciplinadas.
A razão fundamental desta diferença reside no controlo estatal material. No sistema financeiro chinês, apesar de existir uma diversidade de bancos, os grandes bancos estatais dominam a maior parte dos ativos bancários:
os seis maiores bancos comerciais estatais (ICBC, CCB, ABC, Bank of
China, Postal Savings Bank e Bank of Communications) detinham cerca de 41,7 % dos ativos de todo o sistema bancário chinês no final de 2023,
e o Estado permanece como acionista maioritário nestas instituições
através do Ministério das Finanças, da Central Huijin Investment e
outras holdings públicas.
Para além disso, o Estado controla sectores estratégicos fundamentais
da economia através de empresas públicas e sociedades de economia mista
que figuram entre as maiores do país, com as estatais a representar
mais de 40 % do PIB e a manter participação dominante em sectores como energia, telecomunicações e infra-estrutura.
Este domínio confere-lhe um poder real — e não meramente regulatório —
para intervir sobre o capital privado. Ao controlar o acesso ao
crédito, às licenças, às infraestruturas e aos mercados-chave, o Estado
pode impor limites efetivos à acumulação privada excessiva.
Deste modo, embora a China utilize uma economia de mercado com
exploração do trabalho e contradições próprias, não se desenvolve ali um
tecnofeudalismo à maneira ocidental. O capital tecnológico permanece
subordinado a uma estratégia produtiva e a um poder político estatal que
não abdica do controlo dos meios fundamentais da acumulação.
7. Crítica dialética a Varoufakis
A análise de Varoufakis descreve com precisão um fenómeno real do
capitalismo contemporâneo ocidental: a crescente centralidade das
plataformas digitais, a transformação do lucro em renda e a subordinação
de vastas camadas sociais a infraestruturas privadas. O erro não está
no diagnóstico empírico parcial, mas na sua universalização teórica.
Ao apresentar o tecnofeudalismo como uma nova etapa histórica
inevitável, Varoufakis transforma um resultado político e histórico
concreto numa suposta lei da tecnologia digital.
Do ponto de vista do materialismo dialético, esta inversão é
problemática. As formas sociais não derivam diretamente da técnica, mas
das relações materiais de poder, propriedade e produção.
O mesmo desenvolvimento tecnológico gera resultados distintos consoante
a correlação de forças entre capital, Estado e trabalho. O caso chinês
demonstra empiricamente que não existe qualquer automatismo tecnológico
que conduza do capitalismo ao feudalismo digital.
O tecnofeudalismo não é, portanto, a superação do capitalismo, mas uma forma específica da sua degeneração financeirizada,
própria de sociedades em que o Estado foi politicamente derrotado polo
capital financeiro e abdicou do controlo material dos meios estratégicos
da acumulação. Ao deslocar o foco da análise das relações de classe e
da luita política para a tecnologia em abstrato, a tese de Varoufakis
obscurece o verdadeiro terreno da transformação social revolucionária.
Assim, longe de ajudar a compreender como superar o capitalismo, o
conceito de tecnofeudalismo tende a naturalizar uma configuração
histórica particular, a abstrair da história e a idealizar, desviando a
atenção da tarefa central do marxismo: identificar as contradições
materiais reais e organizar a sua superação consciente.
8. As contradições internas do tecnofeudalismo
O denominado por Varoufakis tecnofeudalismo, apresenta contradições
internas profundas que colocam em causa a sua própria reprodução
histórica. A extração sistemática de renda sem produção de valor novo
tende a empobrecer a base produtiva da qual depende. Ao
capturarem uma parte crescente do rendimento de produtores,
trabalhadores e pequenos negócios, as plataformas digitais estrangulam a
acumulação real, reduzindo investimento produtivo, salários e
capacidade de consumo.
Este parasitismo manifesta-se empiricamente na precarização
generalizada do trabalho de plataforma, na compressão das margens dos
vendedores dependentes das Big Tech e na crescente concentração de
riqueza. Nos Estados Unidos, por exemplo, as grandes plataformas
tecnológicas concentram capitalizações bolsistas superiores ao PIB de
muitos países, ao mesmo tempo que empregam relativamente poucos
trabalhadores diretos, aprofundando a dissociação entre valorização
financeira e produção material.
Ao minar salários, destruir pequenos produtores e subordinar vastos
setores sociais a infraestruturas privadas, o tecnofeudalismo corrói as próprias condições da sua reprodução.
A redução do poder de compra, o endividamento crónico e a instabilidade
social tornam-se tendências estruturais, revelando um sistema que se
autodestrói ao explorar em excesso a sua base material.
Estas contradições geram inevitavelmente resistência social.
Trabalhadores de plataformas, pequenos vendedores e utilizadores
partilham interesses objetivos contra a extração rentista das Big Tech.
Como já indicava Marx, o capitalismo engendra o seu próprio contrário: a
negatividade surge do interior do próprio processo, criando sujeitos e
conflitos que apontam para a sua superação.
Por fim, o tecnofeudalismo agrava as contradições geopolíticas
do capitalismo global. A concentração de infraestruturas digitais em
poucas empresas sediadas em determinados países intensifica disputas
entre Estados, fragmenta mercados e acelera processos de desglobalização
tecnológica. Estas fissuras revelam que o tecnofeudalismo não constitui
um novo equilíbrio estável, mas uma forma historicamente transitória,
atravessada por tensões económicas, sociais e políticas crescentes.
Conclusão: para além do tecnofeudalismo
O tecnofeudalismo não é inevitável. Trata-se de uma forma histórica
específica do capital financeiro digitalizado, própria do Ocidente
capitalista e das suas democracias burguesas, nas quais o capital
privado acumulou tal poder material que conseguiu subordinar o Estado e
dominar sobre o poder político. Onde estas relações económicas se
alteram, altera-se também o resultado.
A limitação fundamental da tese de Varoufakis não está na sua descrição do presente ocidental, mas na forma como tende a naturalizar essa configuração histórica,
apresentando-a como uma nova etapa quase necessária do desenvolvimento
tecnológico. Do ponto de vista do materialismo dialético, esta leitura
inverte a relação entre técnica e poder: não é a tecnologia que produz
automaticamente novas formas sociais, mas as relações de propriedade, de
produção e de dominação política que determinam o uso social da
técnica.
O caso chinês demonstra empiricamente que o desenvolvimento das
plataformas digitais não conduz inevitavelmente à formação de feudos
privados autónomos. Com a mesma tecnologia, surgem resultados distintos
quando o capital financeiro permanece subordinado ao poder político e à
primazia da produção material. O tecnofeudalismo revela-se, assim, não
como uma superação do capitalismo, mas como uma forma específica da sua degeneração financeirizada, resultante de uma correlação de forças historicamente determinada.
O desafio histórico central não consiste apenas em diagnosticar esta forma de dominação, mas em identificar o sujeito e o terreno da sua superação.
Nem a descrição crítica do tecnofeudalismo, nem a constatação de que
ele não é inevitável, respondem por si mesmas à questão decisiva: como
podem os explorados do capitalismo digital organizar-se para transformar
materialmente estas relações económicas?
A resposta não passa por regulações tímidas nem por reformas
social-democratas do capitalismo digital, como as que pretende o
programa de Varoufakis, mas pola disputa do controlo material das
infraestruturas construídas polo trabalho coletivo. A apropriação social
das plataformas e a tomada dos meios de produção digitais constituem a
única via coerente, desde o marxismo, para ir verdadeiramente para além
do tecnofeudalismo.
Notas de fontes
41,7 % dos ativos bancários controlados polos seis maiores bancos com maioria estatal no sistema bancário chinês — dados estruturais compilados pola OCDE.
Estatais representam cerca de 40 % do PIB e sectores estratégicos sob controle estatal
segundo análises sobre a economia chinesa contemporânea.
https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/economia/estatais-representam-mais-de-40-do-pib-da-china/?utm_source=chatgpt.com
Herbert
Marcuse fue el principal intelectual del Proyecto Marxismo-Leninismo de
la Fundación Rockefeller, donde colaboró estrechamente con Philip
Mosely un asesor de alto nivel de la CIA.
Entrevista al filósofo marxista Gabriel Rockhill realizada por Michael Yates
Michael Yates: Gabriel, cuéntanos algo sobre dónde y cómo creciste. ¿Cómo crees que esto influyó en quién eres ahora?
Gabriel Rockhill: Crecí en una pequeña granja en la
zona rural de Kansas, y el trabajo manual fue parte integral de mi vida
desde muy pequeño. Esto incluía el trabajo en la granja, por supuesto,
pero también trabajé en la construcción. Mi padre es constructor y
arquitecto, así que cuando no trabajaba en la granja, pasaba la mayor
parte del tiempo, fuera de la escuela y los deportes, en obras de
construcción.
Antes incluso de conocer la palabra, experimenté la explotación (el
trabajo agrícola nunca fue remunerado, ni tampoco lo fue la construcción
en sus inicios). Esta es claramente una de las cosas que me impulsaron a
la vida intelectual: disfrutaba de la escuela como un bienvenido
respiro del trabajo manual.
Mi padre es un apasionado del diseño, y su lema es «mano y mente», lo
que significa que para ser un verdadero arquitecto, se necesita el
conocimiento práctico para construir (mano) lo que se diseña (mente). De
joven, ansiaba más de esto último, pero también he mantenido un
profundo apego a lo primero. En retrospectiva, este enfoque obviamente
tuvo un impacto duradero en mí, ya que he abrazado definitivamente lo
que ahora llamaría la relación dialéctica entre la práctica y la teoría.
Mis padres son liberales que se opusieron a la guerra de Vietnam y
son extremadamente anti-corporativos, sin ser realmente anticapitalistas
ni antiimperialistas. Dado que mi padre también enseña arquitectura en
la universidad, además de dirigir su pequeña empresa de diseño y
construcción, su posición social es pequeñoburguesa. Tienen muchas
críticas justificadas a la sociedad contemporánea, y he aprendido mucho
de ellos sobre cómo el afán de lucro destruye la tierra y el medio
ambiente.
Sin embargo, se resisten principalmente a lo que consideran una toma
de control corporativa, en parte recurriendo a una actitud de «hazlo tú
mismo», que sin duda me impresionó. Sin embargo, no abrazan un proyecto
político más amplio que pueda superar la comercialización de todo.
Además de su posición social, que suele ser un obstáculo en este
sentido, también han sido condicionados ideológicamente para rechazar el
socialismo (aunque podría decirse que se han vuelto más receptivos a él
con el continuo declive de Estados Unidos).
MY: En su momento, usted mostró una predisposición
favorable hacia algunos de aquellos a quienes critica duramente en su
nuevo libro. Entre ellos se encontraban algunos de sus profesores y
mentores. ¿Qué experiencias llevaron a este cambio en su evaluación de
estos académicos?
GR: Cuando fui a la universidad en Iowa, mis
compañeros me superaban. Muchos de ellos simplemente habían tenido más
tiempo para actividades intelectuales y una mejor formación académica
que yo en una escuela secundaria rural de Kansas (aunque sabía mucho más
sobre el trabajo manual y las comunidades obreras).
A menudo sentía que me estaba poniendo al día y que necesitaba ser
autodidacta, sobre todo cuando obtuve una beca que me permitió mudarme a
París para comenzar mis estudios de posgrado a mediados de los noventa.
Por lo tanto, apliqué mi ética de trabajo autocastigadora de chico de
campo a aprender francés y otros idiomas, así como a estudiar historia
de la filosofía y humanidades en general, antes de dedicarme a la
historia y las ciencias sociales.
Me atraían los discursos radicales, pero también me sentía bastante
confundido. Por un lado, en retrospectiva, es evidente que buscaba
herramientas teóricas para comprender y combatir la explotación, así
como la opresión (las cuestiones de género, sexuales y raciales fueron
importantes para mí desde muy joven). Al mismo tiempo, sin embargo, me
atraían los discursos preciosos y sofisticados, con tanto capital
simbólico, que me elevaban, con distinción, por encima del atolladero
del trabajo manual del que quería escapar (el hecho de que siguiera
trabajando como obrero de la construcción y lavaplatos a tiempo parcial
me servía de recordatorio constante).
En la universidad, llegué a pensar que Jacques Derrida era el
pensador vivo más radical, sin duda debido tanto a su fama en Estados
Unidos como a la recóndita complejidad de su obra. Cuando me mudé a
París y comencé mi maestría bajo su supervisión, me impresionaron mucho
él y sus seguidores. Al fin y al cabo, yo era un paleto, sin capital
simbólico ni formación de élite, por lo que el ambiente intelectual
parisino me superaba considerablemente.
Sin embargo, estudié con la furia de alguien atormentado por
inseguridades culturales y de clase, a la vez que estaba imbuido de una
saludable dosis de autodidactismo y antiautoritarismo, y pronto comencé a
percibir discrepancias entre las afirmaciones de Derrida y los textos
que comentaba.
A través de un riguroso proceso de verificación empírica, que incluyó
el trabajo con textos originales en alemán, griego y latín, me di
cuenta de que mi asesor de tesis, al igual que los otros grandes
pensadores franceses de su generación, estaba forzando los textos para
que se ajustaran a su marco teórico preestablecido, malinterpretándolos
así.
También me involucré cada vez más en un modo de análisis más
materialista al estudiar la historia institucional de la producción y
circulación del conocimiento. Se me hizo evidente, como expliqué en mi
disertación y primer libro Logique de l’histoire , que la
práctica teórica de Derrida era en gran medida una consecuencia de la
historia del sistema material dentro del cual operaba.
Al mismo tiempo, me interesaba cada vez más el mundo político en
general. Como relato en un breve interludio autobiográfico en ¿ Quién pagó a los flautistas del marxismo occidental?,
el 11 de septiembre de 2001 constituyó un punto de inflexión
importante. Me di cuenta de que mi formación directa en teoría francesa
(también asistía a seminarios con otras luminarias vivas de esta
tradición) me dejaba mal preparado para comprender la política global, y
más específicamente el imperialismo.
Desconocía las cosas que más importan a la mayoría del planeta,
mientras que tenía una comprensión intrincada de valiosos refinamientos
discursivos que solo importan al patriciado intelectual. Leí cada vez
más a figuras como Samir Amin, quien me aclaró mucho, aunque mi
desarrollo teórico y práctico aún se veía frenado por la compulsión de
leer a marxistas occidentales como Slavoj Žižek, entre muchos otros.
MY: Tanto Losurdo como tú usáis el término «marxismo occidental». ¿A qué os referís? ¿Es simplemente una diferencia geográfica?
GR: El marxismo occidental es la forma específica
de marxismo que surgió en el núcleo imperial y se extendió por todo el
mundo a través del imperialismo cultural. La historia del capitalismo ha
desarrollado los países centrales de Europa Occidental, Estados Unidos,
etc., subdesarrollando al resto del mundo.
Los primeros se han apropiado o asegurado a precios irrisorios los
recursos naturales y la mano de obra de los segundos, mientras que
utilizan la periferia como mercado para sus bienes, creando un flujo
internacional de valor del Sur global al Norte global.
Esto ha llevado a la constitución de lo que Engels y Lenin llamaron
una aristocracia obrera en los países centrales, es decir, una capa
superior de la clase trabajadora global cuyas condiciones superan a las
de los trabajadores de la periferia. Esta capa superior de trabajadores
se beneficia, directa o indirectamente, del flujo de valor antes
mencionado. Esta estratificación global de la clase trabajadora ha
significado que los trabajadores más privilegiados del centro tienen un
interés material en mantener el orden mundial imperial.
Es en este contexto material que surgió el marxismo occidental.
Losurdo lo remonta con perspicacia a la escisión del movimiento
socialista en torno a la Primera Guerra Mundial, un conflicto
competitivo entre los principales países imperialistas. Muchos líderes
del movimiento obrero europeo animaron a los trabajadores a apoyar la
guerra, y algunos incluso defendieron el colonialismo, alineándose así
—voluntariamente o no— con los intereses de sus burguesías nacionales.
Lenin fue uno de los críticos más feroces de estas tendencias, a las
que identificó como revisionistas y antimarxistas. Las contrarrestó con
la contundente consigna: ¡No a la guerra, sino a la guerra de clases!
La orientación del marxismo occidental ha sido, por lo tanto, a
menudo lo que podríamos llamar «anti-antiimperialista», en la medida en
que tiende a negarse a apoyar la lucha de quienes viven en el Sur global
—en particular, cuando se declaran socialistas— por asegurar su
soberanía y seguir una vía de desarrollo autónomo. No es necesario ser
un especialista en debates académicos sobre la infame «negación de la
negación» para comprender que la doble negación del
«anti-antiimperialismo» significa que los marxistas occidentales han
tendido a apoyar de facto al imperialismo.
Podría decirse que esta tendencia solo se ha intensificado durante el
último siglo. Mientras que los revisionistas criticados por Lenin
estaban profundamente involucrados en la política organizada, muchos de
los marxistas occidentales posteriores se recluyeron en la academia,
donde su versión del marxismo se volvió predominante.
Si bien el marxismo occidental ha sido impulsado por la base
socioeconómica y el orden mundial imperial, también ha sido cultivado y
moldeado por la superestructura imperial, es decir, el aparato
político-legal del Estado y el aparato cultural que produce y difunde la
cultura (en el sentido más amplio del término).
Una parte significativa de mi libro más reciente está dedicada a un
análisis de las superestructuras de los principales países imperialistas
y las diversas formas en que han fomentado los discursos marxistas
occidentales como arma de guerra ideológica contra la versión del
marxismo defendida por Lenin.
Al involucrarme en una economía política de producción y distribución
de conocimiento, que ha requerido una extensa investigación de archivo,
arrojé luz muy necesaria sobre el grado en que la clase capitalista y
los estados burgueses han apoyado directamente al marxismo occidental
como un aliado “antiimperialista” en su lucha de clases contra el
marxismo antiimperialista (es decir, marxismo tour court ).
Los intelectuales y organizadores están sujetos a los poderosos
dictados del marxismo occidental, pero de ninguna manera están
rigurosamente decididos a acatarlos. De hecho, hay muchos marxistas en
Occidente que no son marxistas occidentales, y uno de los objetivos de
mi trabajo —al igual que el de Losurdo— es aumentar su número. Quienes
lo lean deberían encontrar aliento para movilizar su capacidad de acción
y liberarse de las restricciones ideológicas del marxismo occidental.
MY: El título del libro pregunta «¿Quién pagó a los gaiteros
?». Esto implica que alguien «manda el tono». Su libro deja claro que
estas frases no significan simplemente que los intelectuales de la
Escuela de Frankfurt, como Theodor Adorno y Max Horkheimer, fueron
sobornados para adoptar posturas hostiles a Marx y a lo que ocurría en
los lugares donde se practicaba el socialismo.
En cambio, usted desarrolla una teoría de la producción de
conocimiento en un sistema social hegemónico, concretamente el
capitalismo. ¿Puede explicar su análisis teórico y exactamente cómo y
por qué los principales intelectuales de izquierda llegaron a
posibilitar, en efecto, la hegemonía capitalista?
GR: La Escuela de Frankfurt de teoría crítica,
liderada por figuras como Adorno y Horkheimer, ha hecho una contribución
fundamental al marxismo occidental, por lo que me he centrado en ella
en una parte del libro. Tienes toda la razón al afirmar que mi enfoque
metodológico rechaza firmemente la ideología liberal dominante que
contrapone la libertad individual al determinismo. La idea de que los
intelectuales actúan con total autonomía o están rigurosamente
controlados por fuerzas externas es una simplificación excesiva que
ignora las complejidades dialécticas de la realidad material.
Dado que mi investigación se centra en la historia del estado de
seguridad nacional estadounidense, y más específicamente en la CIA,
algunos lectores asumen que, de alguna manera, afirmo que los
intelectuales son marionetas, y que la Agencia ejerce el papel de
titiritero tras bambalinas. Esto no es así en absoluto. Lo que el libro
ofrece es una historia material del sistema dominante de producción,
distribución y consumo de conocimiento. Es este sistema el que funciona
como el mundo vital general en el que operan los intelectuales. Tienen
agencia y toman decisiones dentro de él, reaccionando de diversas
maneras a las recompensas y castigos que lo estructuran.
Lo que el libro demuestra, entonces, es que existe una relación
dialéctica entre sujeto y sistema. Dado que este último no es en
absoluto neutral, sino más bien una consecuencia superestructural del
orden mundial imperial, recompensa a los sujetos que contribuyen a sus
objetivos. En este sentido, en lugar de que los intelectuales
antiimperialistas sean marionetas, ejercen su agencia dentro de
instituciones materiales en las que el oportunismo del sujeto está
fuertemente correlacionado con el progreso dentro del sistema. En otras
palabras, eligen avanzar dándole al sistema lo que éste exige y
rechazando lo que éste repudia.
Los intelectuales de izquierda interesados en forjarse una carrera y
ascender socialmente dentro del núcleo imperial deben, por
supervivencia, aprender a desenvolverse en el sistema. Todos saben que
el comunismo es simplemente inaceptable y que no se gana nada
defendiendo, ni siquiera estudiando rigurosamente, el socialismo
existente.
Si desean ocupar una posición de izquierda dentro de las
instituciones existentes, deben respetar, e idealmente, vigilar, la
frontera izquierda de la crítica. Si son radicales, generalmente
progresarán más rápidamente sirviendo como recuperadores radicales, es
decir, intelectuales que buscan recuperar a radicales potenciales dentro
del ámbito de la política respetable y aceptable, redefiniendo lo
«radical» en los términos de la izquierda no comunista. Todo esto tiende
a conducir a la conciliación con el capitalismo, e incluso con el
imperialismo, ya que no hay una alternativa (real) .
Para convertirse en un intelectual de izquierda destacado dentro de
la industria teórica imperial, los sujetos deben ejercer su capacidad de
acción para adaptarse a los protocolos de este sistema. Mi
investigación demuestra la consistencia de este patrón, no solo en la
tradición del marxismo occidental y la teoría francesa, sino también en
la teoría radical contemporánea con todos sus discursos innovadores
(desde los estudios poscoloniales y la teoría queer liberal hasta la
teoría decolonial, el nuevo materialismo, etc.). A pesar de que el
mercado teórico presenta a estos pensadores y tradiciones como
diferentes e incluso incompatibles, tienden a compartir la orientación
ideológica más importante: el anticomunismo.
MY: El capítulo más extenso de su libro está
dedicado a Herbert Marcuse, en sus palabras, «El flautista radical del
marxismo occidental». Su crítica a Marcuse seguramente generará
controversia, dada su condición de uno de los principales filósofos y
defensores de la Nueva Izquierda de la década de 1960, y dado que fue
profesor, mentor y confidente de Angela Davis. Incluso antes de la
publicación de su libro, los críticos eran hostiles a sus opiniones
sobre Marcuse. ¿Por qué le dedicó tanta atención?
GR: Marcuse ha sido ampliamente identificado como
el miembro más radical de la primera generación de la Escuela de
Frankfurt, y por eso me atrajo inicialmente su obra y la leí con gran
interés. Hacia el final de su vida, adoptó varias posturas muy a la
izquierda de figuras como Adorno y Horkheimer. Al mismo tiempo, como
mucha gente, había oído rumores de que tenía conexiones con la CIA y
actuaba como una forma de oposición controlada. Insatisfecho con los
rumores, decidí examinar el archivo mediante solicitudes amparadas por
la Ley de Libertad de Información e investigación de archivos.
Debo admitir que yo mismo me sorprendí un poco al comenzar a
reconstruir el estudio que, con el paso de los años, se convirtió en el
último capítulo del libro. Tras leer excelentes trabajos académicos en
alemán, revisar el extenso expediente del FBI sobre Marcuse, consultar
los registros del Departamento de Estado y la CIA, e investigar en el
Centro de Archivos Rockefeller, me quedó clarísimo que Marcuse no era
sincero en las entrevistas donde le preguntaban sobre su trabajo para el
gobierno estadounidense.
De hecho, colaboraba regularmente con la CIA, y Tim Müller reveló
haber participado en la elaboración de al menos dos Estimaciones de
Seguridad Nacional (el nivel más alto de inteligencia del gobierno
estadounidense). Su colaboración con el gobierno de seguridad nacional
estadounidense no terminó en absoluto cuando consiguió un puesto
universitario, y mantuvo estrechos vínculos con agentes estatales,
actuales o anteriores, hasta el final de su vida.
También fue el principal intelectual del Proyecto Marxismo-Leninismo
de la Fundación Rockefeller, donde colaboró estrechamente con su íntimo
amigo Philip Mosely, quien fue asesor de alto nivel de la CIA durante
muchos años. Este proyecto transatlántico, extremadamente bien
financiado, tenía la misión explícita de promover internacionalmente el
marxismo occidental por encima y en contra del marxismo-leninismo.
Aunque estaba muy familiarizado con el antisoviético de Marcuse y sus
fuertes tendencias anarquistas, dado que había leído su obra durante
décadas, no comencé esta investigación con una idea preestablecida sobre
su situación exacta en la lucha de clases global (de hecho, mi visión
de él se basaba más en supuestos consensuados sobre su radicalidad).
Dados mis hallazgos y sus contribuciones a la consolidación de una
tesis en desarrollo sobre el profundo anticomunismo de la industria de
la teoría imperial, sentí la necesidad de analizar su caso con cierto
detalle, lo que incluía rastrear su propia evolución política y la
vigilancia del FBI. Esto demuestra, en muchos sentidos, cuán radical
puede ser un intelectual sin dejar de servir, de forma decisiva, a los
intereses imperialistas.
Debo señalar, a este respecto, que estoy totalmente abierto a la
crítica y creo firmemente en la socialización del conocimiento. Si
alguien discrepa de mi interpretación —y estoy seguro de que algunos de
los que siguen a Marcuse lo harán—, le corresponde consultar todo el
archivo que he examinado y proponer una explicación de los hechos con
mayor fuerza explicativa y coherencia interna.
Sería el primero en leer un análisis así. Sin embargo, si su rechazo a
mi trabajo se basa en suposiciones a priori en lugar de un examen
riguroso de toda la evidencia, lamento decir que no merece una
consideración seria, ya que es poco más que una expresión de
dogmatismo.
MY: Dadas las profundas divisiones que existen hoy
entre quienes apoyan el marxismo occidental, que sin duda incluye a la
mayoría de los socialdemócratas y socialdemócratas, ¿cuál es el camino a
seguir para cambiar radicalmente el mundo? ¿Un compromiso? ¿Una
izquierda radical independiente y global que siga criticando el marxismo
occidental? ¿Qué?
GR: Aquí llegamos a la pregunta más importante. La
teoría se convierte en una fuerza real en el mundo cuando se trata de
cautivar a las masas. En muchos sentidos, mi libro traza la
reconstrucción de la izquierda en la era del dominio imperial
estadounidense. Si bien la segunda mitad del libro se centra en el
marxismo occidental, la obra en su conjunto se centra en la redefinición
general de la izquierda —para usar la terminología de la CIA— como una
izquierda «respetable», es decir, «no comunista», compatible con los
intereses del capitalismo, e incluso del imperialismo.
La historia de cómo la intelectualidad se ha visto impulsada en esta
dirección es, en última instancia, importante, no solo por sí misma,
sino por lo que revela sobre la izquierda en general. Hoy en día, gran
parte de la izquierda es plenamente compatible.
La verdadera tarea, entonces, es revitalizar la izquierda actual, que
es antiimperialista y anticapitalista. Esta es una tarea gigantesca,
sobre todo considerando las fuerzas que se despliegan contra nosotros.
Sin embargo, si no lo logramos, la vida humana y muchas otras formas de
vida serán erradicadas, ya sea por un apocalipsis nuclear, la
intensificación del asesinato social, el colapso ecológico u otras
fuerzas impulsadas por el capitalismo.
Para estar a la altura de las circunstancias, necesitamos ser capaces
de resolver al menos tres problemas importantes. Para empezar, está la
cuestión de la teoría, que es el enfoque principal de este libro. La
teoría contemporánea ha sido generalmente depurada de cualquier
compromiso serio con el materialismo dialéctico e histórico, y este
último ha sido ampliamente difamado como anticuado, dogmático,
reductivista, rudimentario, totalitario, etc.
Peor aún, el propio marxismo ha sido secuestrado por fuerzas
reaccionarias, en estrecha colaboración con los oportunistas, y
transformado en un producto cultural de moda —el marxismo «occidental» o
«cultural»— que es anticomunista, acomodaticio al capitalismo y, a
veces, abiertamente imperialista e incluso fascista. El culturalismo
reina con supremacía, mientras que el análisis de clase ha sido relegado
a un segundo plano.
Además, este no es en absoluto un problema exclusivo del mundo
académico, ya que el mundo organizativo ha sido profundamente penetrado
por estas ideologías anticomunistas. En este sentido, mi libro pretende
servir como correctivo a dichas tendencias regresivas, al tiempo que
reconecta el hilo rojo con la tradición dialéctica y materialista
histórica, desarrolla sus contribuciones metodológicas y avanza en su
análisis de la superestructura imperial en el mundo contemporáneo.
Los otros dos problemas son la cuestión organizativa y la de lo que
Brecht denomina la pedagogía de la forma. En gran parte del mundo
capitalista, la forma de partido, el centralismo democrático e incluso
las organizaciones políticas jerárquicas en general han sido abandonadas
o marginadas. Sin embargo, la izquierda no puede luchar y triunfar sin
organizaciones disciplinadas que construyan poder colectivo. Estas deben
ser capaces de incorporar a la gente, educarla y empoderarla para que
tome las riendas de su destino.
Todo esto requiere formas de comunicación, expresión cultural y
organización que realmente conecten con la gente, a través de su forma, y
la motiven a participar en la acción colectiva para cambiar el mundo.
Si bien mi libro se centra principalmente en el problema teórico,
insiste en la importancia crucial de una política de izquierda
organizada, a la vez que destaca sus importantes logros en la forma del
socialismo realmente existente. También espero que el libro ofrezca una
narrativa convincente y sea una lectura amena que involucre a la gente
en la lucha colectiva por construir un mundo mejor.
MY: Gracias por esta entrevista tan esclarecedora.
GR: ¡Gracias por las excelentes preguntas y por todo el trabajo que hacen!
Nota
Gabriel Rockhill es profesor de Filosofía en la Universidad de
Villanova. Obtuvo doctorados en la Universidad París VIII y en la
Universidad Emory. Un académico consumado, ha publicado obras para
numerosos medios, tanto en Estados Unidos como en Francia. Es el editor
de la edición en inglés del libro de Domenico Losurdo, Western Marxism: How It Was Born, How It Died, How It Can Be Reborn , publicado por Monthly Review Press. Michael Yates entrevistó a Rockhill sobre su nuevo libro, Who Paid the Pipers of Western Marxism? (Monthly Review Press, 2025).
Gabriel Rockhill y Jennifer Ponce de León han
escrito la Introducción a la versión inglesa de El Marxismo Occidental,
titulada “El socialismo como liberación anti-colonial: lecciones
contemporáneas de Losurdo”, en la que no sólo delinean las ideas-fuerza
de Losurdo y el método de análisis que aplica en esta obra, sino que
también ofrecen interesantes reflexiones sobre la “industria de la
teoría” y el “socialismo realmente existente”.
Por TITA BARAHONA PARA CANARIAS-SEMANAL.ORG
En el sistema capitalista, la burguesía posee los medios de producción, pero también posee y/o controla los medios intelectuales de producción cultural (universidades, centros de investigación, think tanks…),
cuyos productos se difunden a través de libros, revistas científicas y
diversos medios de comunicación. Igual que hay una industria de la
música, del cine o del espectáculo, también existe lo que Gabriel Rockhill conceptualizó como la “industria de la teoría global”,
un sistema de producción, circulación y consumo de los productos de la
alta cultura, como la teoría, que opera dentro de los límites de lo que
la burguesía considera idóneo o legítimo para el uso del publico en
general (1).
Si hemos leído a -o al menos nos suenan- autores como Horkheimer, Adorno, Foucault, Derrida, Negri, Butler o Zizek, es posible que hayamos tenido menores ocasiones de toparnos con otros prominentes pensadores contemporáneos como Domenico Losurdo (1941-2018). Es cierto que buena parte de las obras de este autor italiano han sido traducidas al castellano y otros idiomas (2); pero, comparadas con las de los autores arriba referidos, seguramente encontraremos que las de Losurdo
tienen bastantes menos citas en artículos académicos y periodísticos.
Además, él no tuvo tantas oportunidades de ser entrevistado en los
grandes medios o invitado a dar charlas en eventos patrocinados por
instituciones financieras (3).
Las razones de que la obra de Losurdo no sea un producto estrella de la “industria de la teoría global” las explican brillantemente Gabriel Rockhill y su colaboradora, Jennifer Ponce de León (4), en las 30 páginas de Introducción a la recién publicada versión inglesa de uno de sus libros: Western Marxism. How it was born, how it died, how it can be reborn (El Marxismo Occidental. Cómo nació, cómo murió y cómo puede renacer), editado por Rockhill y publicado en Monthly Review Press (Nueva York, 2024).
En esta introducción, titulada “El socialismo como liberación anti-colonial: lecciones contemporáneas de Losurdo”,
sus autores delinean las ideas-fuerza de Losurdo y el método de
análisis que aplica en esta obra, publicada originalmente en 2017. Trata
en ella el autor italiano de una de las mayores divisiones que se produjeron dentro de los debates del marxismo a nivel mundial: “Marxismo oriental”versus“Marxismo occidental”, división que “marcó a la generación de Losurdo y continúa estructurando muchas de las controversias actuales”.
Desde la década de 1970, que es cuando Losurdo sitúa el surgimiento de este cisma, se llamó marxistas orientales a quienes habían logrado tomar el poder, como en los casos de la URSS, Vietnam, Corea, China, Cuba, etc. Marxistas occidentales se denominó, por otro lado, a los intelectuales que se opusieron a esos proyectos de construcción del socialismo, porque -como explican Ponce de León y Rockhill- “rechazaban
la aspiración a la toma del poder en favor de diversas formas de teoría
crítica y a veces presentando ese rechazo como la postura
epistemológica desde la que mejor se puede descubrir el llamado
auténtico marxismo”.
Oriental y occidental no son, sin embargo, términos estrictamente geográficos, sino que se refieren más bien a dos posturas políticas diferentes, la una dedicada a la ardua tarea de construir el socialismo, lo que hasta ahora se ha producido sobre todo en el Sur Global; la otra desdeñosa de esos esfuerzos y quitándoles importancia, “porque no están a la altura del estándar imaginado de pureza teórica o moral”.
A este último renglón pertenecen las corrientes filosóficas derivadas de la Escuela de Frankfurt y la teoría francesa, entre otras, con las que Losurdo polemiza. Por tanto -señalan Ponce de León y Rockhill- “gran
parte de lo que éste diagnostica en su libro se puede aplicar -salvando
las distancias- a muchas otras tendencias promovidas por la industria de la teoría, algunas de las cuales son abiertamente anti-marxistas, incluidas la teoría post-colonial, la teoría decolonial, el feminismo liberal y la teoría queer, el afro-pesimismo, etc."
Un tema central en el libro de Losurdo es su respuesta al de Perry AndersonConsiderations on Western Marxism (1976), para quien el hecho de que el socialismo no se extendiera fuera de la URSS fue “producto de una derrota”.
Este supuesto fallo del gobierno de los soviets fue motivo para que los
marxistas occidentales se retiraran de los partidos y los asuntos
políticos y económicos, se refugiarsen en la Academia y centrasen sus intereses en laFilosofía y la Estética.
Sostienen Ponce de León y Rockhill que “el oportunismo de los marxistas occidentales, criticado por Losurdo, debe entenderse a través del análisis de los intereses de clase". Todos ellos son
“intelectuales profesionales acomodados en las redes de elite del Norte
Global y parte de lo que algunos llaman la nueva pequeña burguesía, es
decir: el estrato de clase profesional-directiva del centro imperialista”.
La CIA prodigó sustanciosos fondos a estos intelectuales izquierdistas anti-comunistas y promovió sus obras en todo el mundo. Ponce de León y Rockhill señalan la operación, en la década de 1950 -en plena Guerra Fría- del Congress for Cultural Freedom (Congreso para la Libertad Cultural), “uno de los mayores patrocinadores del arte y la cultura que el mundo ha conocido. Estableció oficinas en treinta y cinco países [...], planificó o patrocinó 135 conferencias y seminarios internacionales, publicó al menos 170 libros, dirigió revistas […] Prominentes marxistas occidentales, como Horkheimer, gozaron de sus viajes pagados. Otros, como Adorno, vieron sus obras publicadas y traducidas en sus revistas.”
Los escritos de estos marxistas occidentales -según explican Ponce de León y Rockhill- suelen “promover las dinámicas del imperialismo cultural y a la vez ellos son promovidos por el aparato cultural burgués, que los vende en todo el mundo como la única versión válida de marxismo”. Estos enfants terribles de la Academia “produjeron teorías que tienen poco o ningún valor de uso para las luchas de las masas trabajadoras y oprimidas”.
A la misma hornada parecen pertenecer los “neo-marxistas” y “post-marxistas” con los que polemiza agudamente Andrés Piqueras en De la decadencia de la política en el capitalismo terminal(5), apoyando la argumentación de Losurdo en El Marxismo Occidental.
Unos y otros son lo que Rockhill denomina “recuperadores radicales”, porque “pretenden
recuperar potenciales fuerzas insurgentes dentro del orden capitalista,
guiando a las masas hacia soluciones simbólicas o discursivas”, como lo es el consumo de los productos de “la industria imperialista de la teoría”.
Es posible que a muchos de nosotros no nos sea difícil percibir el hilo que conecta a estos “recuperadores radicales”,
que dicen representar los intereses de los oprimidos mientras carecen
de un programa práctico para la transformación social, con la “izquierda compatible” o “izquierda integrada”
(ya despojada de cualquier resto de marxismo y anti-comunista), que se
alterna en los gobiernos de nuestras democracias burguesas con la
derecha, para hacer las mismas políticas de corte neoliberal.
En el polo opuesto se halla el compromiso militante de intelectuales como Losurdo, su dedicación a lo que en su obra sobre Gramsci llama el “comunismo crítico”, que -como sostienen Ponce de León y Rockhill- “elude
el dogmatismo en favor de un proceso continuo de aprendizaje enraizado
en el análisis concreto de coyunturas históricas específicas”.
En El Marxismo Occidental, Losurdo "elucida
las fuerzas objetivas que mueven la ideología de esta corriente a la
que considera producto cultural del centro imperialista". Como en todos sus escritos, aplica para ello “un análisis sobrio de la realidad concreta, que es profundamente histórico”. Es, por tanto -concluyen Ponce de León y Rockill, “un antídoto inestimable a esta tendencia anti-comunista y pro-imperialista dentro del marxismo occidental”.
Añado para terminar que, seguramente, seremos muchos quienes nos
preguntemos si podemos llamar marxismo en absoluto a elucubraciones
teóricas despojadas de práctica revolucionaria, dado que un elemento
central en la elaboración marxista es el método dialéctico, la permanente imbricación de la teoría y la intervención social. El marxismo es, como lo denominó Gramsci, filosofía de la praxis: “No hay un pensamiento sin influjo sobre la realidad, ni una realidad que no determine el pensamiento” (6).
En cualquier caso, la calidad del libro de Domenico Losurdo y la no menor de su introducción en la versión inglesa lo hacen sumamente recomendable.
Referencias
(1)Gabriel Rockhill
(nacido en 1972) es un filósofo, escritor, crítico cultural y activista
estadounidense. Realizó sus estudios superiores en Francia y
actualmente es profesor de Filosofía en la Universidad de Villanova de Filadelfia. Es asimismo director-fundador del Taller de Teoría Crítica
y contribuye regularmente al debate intelectual público en medios como
CounterPunch, Black Agenda Report, el New York Times y Libération, entro
otros. También en Canarias Semanal hemos publicado algunos de sus
artículos. Sobre el concepto “industria de la teoría global”, véase la
entrevista que le hicimos en este medio:
https://canarias-semanal.org/art/33563/gabriel-rockhill-la-industra-de-la-teoria-global-capitalista-al-descubiero-video
(2) La obra de la que aquí tratamos, El Marxismo Occidental, cómo nació, cómo murió, cómo puede ser resucitado, fue publicada por la editorial Trotta en 2019. En la editorial El Viejo Topo
se pueden encontrar otros títulos de Losurdo: Stalin. Historia y
crítica de una leyenda negra (2011); Contrahistoria del liberalismo
(2007); La lucha de clases (2014); La izquierda ausente (2015); Un mundo
sin guerras (2016) y su obra póstuma La cuestión comunista (2021).
(3) Ciñéndonos sólo al caso español, el Banco de Santander patrocinó en 2021 una charla de Judith Butler en
el Museo Reina Sofía de Madrid. Como una de las principales
intelectuales de la industria de la teoría, ha sido objeto de múltiples
noticias y entrevistas en los grandes medios. También recibió el Premio
Internacional Cataluña que otorga la Generalitat, y la Medalla de Oro
del Círculo de Bellas Artes de Madrid. Véase
https://canarias-semanal.org/art/33459/judith-butler-o-el-fetichismo-de-la-mercancia-intelectual
y
https://canarias-semanal.org/art/29396/judith-butler-la-pope-del-feminismo-postmoderno-y-su-apoyo-al-capitalismo-yanqui
(4) Jennifer Ponce de León es profesora asociada de Inglés en la Universidad de Pensilvania. Está también especializada en estudios sobre América Latina a partir de la década de 1960 y Literatura Comparada. Su investigación se centra enlos movimientos izquierdistas y la producción cultural en las Américas y en el pensamiento marxista y anti-colonial. Es directora asociada del Taller de Teoría Crítica. Actualmente trabaja en un libro, Revolutionizing Aesthetics, en co-autoría con Gabriel Rockhill.
(5) Andrés Piqueras,
De la decadencia de la política en el capitalismo terminal. Un debate
crítico con los “neo” y los “post” marxismos. También con los
movimientos sociales (El Viejo Topo, 2022)
(6) Citado en Andrés Piqueras, De la decadencia de la política, p. 321.