Le film germano-soviétique de 1936 « La Lutte » (« Kämpfer ») a été produit par le
studio moscovite « Rot-Front », où la plupart des acteurs et une grande partie de
l'équipe technique étaient des communistes allemands exilés. Il est réalisé par Gustav von Wangenheim.
Le film relate la résistance des ouvriers contre le fascisme, inspirée par l'arrestation
du dirigeant communiste Georgi Dimitrov. Deux intrigues se déroulent en parallèle :
le procès de l'incendie du Reichstag, où Dimitrov est accusé d'avoir orchestré
l'incendie de 1933, et la résistance des ouvriers contre les fascistes de la SA et de
la SS. Les ouvriers sont accusés à tort par la SA d'avoir incendié l'usine Spörke. À la
tête du mouvement de résistance se trouvent Mère Lemke et Anna, qui considèrent
Dimitrov comme un symbole dans la lutte contre le fascisme. La rébellion de Mère Lemke
est alimentée par l'assassinat de son fils Hans par la SA. Hans avait découvert que
l'usine Spörke produisait du gaz toxique comme arme de guerre, et non du parfum comme
on le prétendait.
Peu à peu, Dimitrov gagne des soutiens à travers le monde, déclenchant des
manifestations réclamant sa libération. Le mouvement de résistance de Mère Lemke et
Anna prend également de l'ampleur, ralliant son fils Fritz, médecin, et même d'anciens
membres des SA.
Le film s'achève sur la libération de Dimitrov, symbolisant l'espoir d'une chute imminente du fascisme.
L'intrigue, qui se déroule en 1933-1934, illustre les débuts de la résistance au fascisme : des groupes d'ouvriers montent la garde devant leurs usines la nuit contre les incendiaires des SA ; organisent des réunions pour protester contre les procès iniques ;
font passer clandestinement de la littérature antifasciste, la cachent et la diffusent ;
impriment leurs propres tracts et infiltrent les organisations nazies pour recueillir
des renseignements et libérer les prisonniers. Le film est également d'une valeur
inestimable pour les images et les enregistrements sonores originaux d'Henri Barbusse
et de Georgi Dimitrov, pour les scènes de manifestations françaises en soutien à
Dimitroff et Thälmann, ainsi que pour avoir révélé l'existence des premiers camps de
concentration au grand public (l'un des premiers enregistrements des « Moorsoldaten »
provient également de ce film).
L'esthétique du film
Le film « Kämpfer » utilise une esthétique héroïsante en dépeignant
les personnages des milieux ouvriers luttant par et pour eux-mêmes. Cet héroïsme est une caractéristique de l’avant-garde
cinématographique. Cependant, le film anticipe aussi des formes de réalisme socialiste, il doit être évalué comme une transition de l’avant-garde cinématographique au réalisme socialiste.
Contributeurs
Le réalisateur Gustav von Wangenheim a travaillé dans la République de Weimar en tant qu'acteur sur de nombreux films, entre autres Nosferatu. Entre 1928 et 1933, il est le fondateur et le chef de la compagnie théâtrale Truppe 1931, créé à partir de la colonie d'artistes Berlin. Après la guerre, Wangenheim est retourné en RDA et a travaillé comme réalisateur et scénariste pour le DEFA et a reçu le prix national de la RDA.
Bruno Schmidtsdorf
(1908-1938) n'a joué qu'un plus grand rôle dans ce film, a ensuite été
tué dans la terreur de Staline parce qu'il était prétendument membre
d'une jeunesse hitlérienne soviétique. Alexander Granach,
qui a joué le rôle de Rovelli, a pu fuir aux États-Unis, puis a joué
presque exclusivement des nazis dans des films. (Les acteurs avec un
accent allemand ne pouvaient pas être un sympathisant dans un film
américain.) Ernst Busch, qui a incarné le juge, a joué dans Kuhle Wampe ou: Qui possède le monde? et l'opéra à trois centimes avec. Presque tous les acteurs sont des Allemands exilés. Dans la République de Weimar, ils ont joué dans les groupes de théâtre La colonne de gauche (en allemand: Kolonnenn Links) et Truppe en 1931.
Ernst Busch a non seulement joué le magistrat, mais a également enregistré la chant des déportés pour le film, qui est chanté dans les scènes de camp de concentration.
L’œuvre peut être considérée comme un document historique
contemporain sur la résistance communiste allemande face au national-socialisme.
El 29 de enero de 1957 se estrenaba en las pantallas soviéticas el drama heroico "Павел Корчагин" (Pavel Korchagin), largometraje codirigido por Alexander Alov y Vladimir Naumov para los Estudios de Cine de Kiev.
Segunda adaptación de la novela de Nikolai Ostrovski "Así se templó el acero", la película está protagonizada por Vasili Lanovoy, Elza Lezhdey, Tamara Stradina y Vladimir Marenkov, entre otros, y registró la asistencia de más de 25 millones de espectadores a las salas de cine soviéticas.
Sinopsis - Postrado en cama por una enfermedad mortal, Pavel Korchagin recuerda los días gloriosos de su juventud militante: su participación en la lucha revolucionaria, las batallas con los polacos blancos, la construcción de un ferrocarril en invierno para salvar a la ciudad del frío y el hambre, el trabajo desinteresado y la fatiga inhumana.
Nesta pequena cápsula desmontamos desde o marxismo e o materialismo histórico a tese do Tecnofeudalismo,
formulada por Yanis Varoufakis, que nos últimos anos ganhou ampla
difusão entre a progressia occidental. Segundo ela, o capitalismo teria
morrido e sido substituído por uma nova forma de feudalismo digital, no
qual as grandes plataformas tecnológicas funcionam como feudos, e nós,
usuários, trabalhadores e pequenos produtores, somos outra vez como
servos que pagam tributos aos novos senhores feudais, os Bezos,
Zuckerberg ou Musk.
A tese contém uma intuição correta e poderosa. Contudo, do ponto de vista do materialismo dialético,
ela é completamente insuficiente, parcial e mesmo contraproducente para
a classe trabalhadora tomar consciência da teoria correta que explica o
funcionamento do capitalismo e a sua superação. Este artigo procura
conservar integralmente as ideias apresentadas numa análise original dum
vídeo do canal marxista Frases de Marx, mostrando que o tecnofeudalismo
não é nenhuma lei tecnológica inevitável, mas o resultado histórico
concreto de determinadas relações entre capital, Estado e produção, sem
sair do modo de produção capitalista.
O caso da China desempenha aqui um papel central, pois demonstra
empiricamente que a mesma tecnologia digital e o seu avance pode gerar
resultados sociais e políticos radicalmente distintos.
1. A tese de Varoufakis: do capitalismo ao tecnofeudalismo
1.1. Capitalismo clássico e concorrência produtiva
No capitalismo clássico analisado por Marx no século XIX, a concorrência entre capitais dava-se fundamentalmente no terreno da produção.
Empresas como Ford e General Motors competiam fabricando automóveis.
Vencia quem conseguisse produzir mercadorias melhores e mais baratas.
A exploração capitalista manifestava-se através da apropriação direta da mais-valia:
o trabalhador produzia valor através do seu trabalho vivo, e o
capitalista apropriava-se diretamente desse valor excedente. Havia
exploração, mas havia também produção real de valor.
1.2. As plataformas digitais e a ruptura do modelo produtivo
As grandes plataformas digitais atuais — Amazon, Google,
Facebook/Meta — não funcionam segundo essa lógica. Elas praticamente não
produzem bens materiais. Não fabricam mercadorias no sentido clássico.
Ainda assim, são as empresas mais valorizadas do mundo.
O que fam, então? Controlam os territórios digitais
onde ocorre o comércio, a comunicação e a vida social contemporânea. São
donas do espaço no qual todos somos obrigados a circular.
1.3. A analogia feudal
Aqui Varoufakis acerta parcialmente ao estabelecer uma analogia com o
feudalismo medieval. O senhor feudal não produzia trigo nem fabricava
ferramentas. Era dono da terra. Quem quisesse produzir precisava usar
essa terra e pagar tributo.
O mesmo ocorre hoje em ocidente em versão digital. Para vender online
é necessário passar pola Amazon e pagar comissões que variam entre 15% e
45%. Não porque a Amazon crie valor ou melhore o produto, mas
simplesmente porque controla o território do mercado.
Estamos perante uma forma de extração de renda, não de criação de valor. Eis o núcleo da tese do tecnofeudalismo.
Os limites históricos e teóricos da metáfora feudal
Apesar da utilidade descritiva da noção de tecnofeudalismo, é
necessário introduzir aqui uma precisão conceitual importante. Do ponto
de vista histórico rigoroso, chamar à forma atual de dominação digital
um “feudalismo” constitui um exagero teórico.
No feudalismo propriamente dito, a terra era o meio de produção
fundamental. Os camponeses encontravam-se juridicamente ligados a ela, e
a relação com o senhor feudal era uma relação pessoal de dominação,
sancionada por vínculos jurídicos e políticos diretos. A exploração não
se dava através do mercado, mas através de obrigações extraeconómicas
explícitas como trabalho forçado gratuito, rendas em espécie, tributos
compulsórios e a submissão direta à autoridade jurídica e política do
senhor feudal.
No capitalismo digital contemporâneo, por mais concentrado e
assimétrico que seja o poder das plataformas, não existe uma relação de
servidão jurídica direta. Os trabalhadores, produtores e consumidores
continuam formalmente inseridos em relações de mercado, mediadas polo
salário, polo contrato e pola concorrência. As Big Tech não
dominam porque nos possuem juridicamente, mas porque controlam dados,
infraestruturas e posições monopolistas estratégicas.
Nesse sentido, o tecnofeudalismo funciona sobretudo como uma metáfora crítica,
útil para chamar a atenção para a concentração extrema de poder e para a
dependência tecnológica crescente, mas problemática se tomada como
categoria histórica ou económica literal. O risco é obscurecer a
compreensão do fenómeno enquanto forma específica do próprio
capitalismo, e não como um retorno real a um modo de produção
pré-capitalista.
É precisamente por isso que a análise deve avançar além da metáfora e
regressar às categorias centrais do materialismo histórico: relações de
produção, formas de apropriação do valor, e articulação entre capital e
Estado. Vejamos.
2. Extração de renda versus produção de valor
2.1. Diferença fundamental em relação ao capitalismo clássico
No capitalismo industrial, mesmo na exploração, havia produção de
valor real. No tecnofeudalismo descrito por Varoufakis, os senhores
feudais digitais não criam valor: limitam-se a extrair renda polo
controle do acesso.
Bezos não ajuda o vendedor a produzir melhor; cobra tributos por
permitir que ele venda. Zuckerberg não melhora a comunicação; cobra polo
acesso à própria audiência.
2.2. O tecnofeudalismo como fenómeno localizado
Se o tecnofeudalismo fosse uma consequência automática da tecnologia
digital, deveria manifestar-se em todos os países com plataformas
digitais avançadas. Mas isso não acontece.
E aqui surge a pergunta decisiva que Varoufakis não colocou de forma suficiente: por que razão na China não existem Jeff Bezos todo-poderosos?
3. O caso chinês: plataformas sem senhores feudais privados
3.1. Plataformas gigantes, mesma tecnologia. O caso Jack Ma
A China alberga algumas das maiores plataformas digitais do mundo. A
Alibaba supera a Amazon em volume de transações no comércio eletrónico, o
WeChat conta com mais de mil milhões de utilizadores ativos e o Douyin
domina amplamente o mercado de vídeo curto no país. A tecnologia
empregada é equivalente à ocidental: infraestruturas digitais avançadas,
algoritmos de recomendação semelhantes e modelos de plataforma
comparáveis.
A diferença decisiva não reside, portanto, na técnica, mas na relação
de poder. Em 2020, Jack Ma, fundador da Alibaba e então o homem mais
rico da China, criticou publicamente a regulação financeira chinesa — um
tipo de discurso habitual entre bilionários tecnológicos no Ocidente. A
resposta do Estado foi imediata: Jack Ma desapareceu da vida pública
durante meses, a Ant Group viu suspensa a maior IPO da história e foi
forçada a reestruturar-se, e a Alibaba foi fragmentada e submetida a
fortes sanções regulatórias.
Jack Ma permaneceu rico, mas perdeu qualquer autonomia política.
Deixou de ser um “senhor” de coisa alguma. Uma intervenção desta
magnitude seria impensável nos Estados Unidos ou na União Europeia.
3.2. A inversão da relação de poder
Na China, o Partido Comunista mantém o controlo material sobre os
grandes empresários tecnológicos; no Ocidente, ocorre o inverso, são os
magnatas das Big Tech a condicionarem diretamente o poder político. Quando
uma empresa chinesa acumula poder excessivo ou ameaça objetivos sociais
definidos polo Estado, é disciplinada, fragmentada ou reestruturada.
Um exemplo claro foi o setor da educação privada online, que
movimentava dezenas de milhares de milhões de dólares. Em 2021, o Estado
decidiu que a educação não podia ser um negócio lucrativo e proibiu a
atividade com fins lucrativos, destruindo em poucos dias grande parte do
valor bolsista do setor.
Estes casos mostram que, apesar da existência de plataformas privadas
gigantescas e da exploração capitalista do trabalho, não emergem na
China senhores feudais digitais autónomos. O capital tecnológico
permanece subordinado ao poder político estatal, e não o contrário.
4. Regime dos dados. Quem controla os dados controla o poder: China versus Ocidente
No capitalismo digital ocidental, os dados pessoais constituem uma
forma central de propriedade privada. As grandes plataformas
apropriam-se integralmente das informações geradas pola atividade
quotidiana dos utilizadores — comunicações, deslocações, hábitos de
consumo — e transformam-nas em mercadoria. Estes dados são monetizados através de publicidade dirigida, vendidos a terceiros ou utilizados para moldar e antecipar comportamentos, convertendo os próprios utilizadores em matéria-prima do processo de acumulação.
Este regime de propriedade privada dos dados confere às Big Tech um
poder económico e político extraordinário. Empresas como Google, Meta ou
Amazon controlam volumes de informação superiores aos de muitos
Estados, sem qualquer controlo público efetivo, o que lhes permite
influenciar mercados, processos políticos e dinâmicas sociais de larga
escala.
Na China, embora as plataformas também recolham dados em massa e
participem na exploração capitalista, estes não constituem propriedade
privada absoluta das empresas. O Estado mantém acesso legal e capacidade de intervenção direta sobre os fluxos de dados considerados estratégicos,
enquadrando as plataformas como gestoras subordinadas de
infraestruturas informacionais. Na prática, isto significa que os dados
não pertencem exclusivamente às empresas: as plataformas são
obrigadas a armazenar informação sensível em servidores localizados no
território nacional, a partilhar dados com autoridades reguladoras e a
integrar-se em sistemas públicos de supervisão, como ocorre com dados financeiros, logísticos, de mobilidade ou de comunicações.
Este modelo implica certos problemas de vigilância e controlo social,
mas impede que os dados se convertam numa base autónoma de poder
privado. Ao contrário do Ocidente, onde empresas como Google ou Meta
controlam sozinhas infraestruturas informacionais globais, na China nenhuma plataforma pode transformar os dados num recurso político independente do Estado.
Assim, a diferença fundamental não reside na quantidade de dados
recolhidos, mas na sua forma de propriedade e no tipo de poder que deles
deriva: no Ocidente, os dados reforçam a autonomia política do capital
tecnológico; na China, permanecem integrados numa estrutura de controlo
estatal que limita a formação de feudos digitais privados.
5. Capital produtivo e capital fictício: a chave marxista
Em O Capital, Marx distingue claramente o capital produtivo do capital fictício.
O primeiro investe em meios de produção e em trabalho vivo,
transformando materialmente a realidade e gerando valor novo através da
exploração da força de trabalho. Toda a riqueza social, por mais
abstrata que pareça, assenta em última instância neste processo material
de produção. Recomendamos aqui a leitura dos artigos de Capitalismo (I): Andrés Piqueras. Crises do Capitalismo. A fase terminal e Capitalismo (II): Trabalho Produtivo e Improdutivo, uma perspetiva marxista, com Andrés Piqueras analisando a diferença entre trabalho produtivo e improdutivo.
O capital fictício, polo contrário, apresenta-se como dinheiro que
gera mais dinheiro sem passar pola produção: ações, títulos, derivados
financeiros e valorização bolsista. Trata-se de uma forma fetichizada do
capital, que não cria valor, mas representa direitos de apropriação
sobre valor futuro ou redistribui valor produzido noutro lugar. Como
Marx já assinalava, este capital parece autonomizar-se da produção,
ocultando a sua dependência do trabalho vivo.
Desde os anos 1980, o Ocidente conheceu um processo profundo de financeirização.
A economia deslocou-se da indústria para os mercados financeiros: Wall
Street substituiu Detroit como centro dinâmico da acumulação. Hoje, uma
parte crescente dos lucros corporativos nos Estados Unidos provém de
atividades financeiras, enquanto a produção material foi deslocalizada
para outras regiões do mundo.
As grandes plataformas digitais ajustam-se perfeitamente a este
modelo financeirizado. Apesar de empregarem relativamente poucos
trabalhadores e produzirem poucos bens materiais, concentram
capitalizações bolsistas gigantescas, baseadas em expectativas futuras e
no controlo de infraestruturas digitais. A sua força não reside na
produção direta de valor, mas na capacidade de capturar rendas e atrair
fluxos financeiros, evitando as contradições clássicas da produção
industrial — sindicatos, greves, custos fixos elevados.
É neste contexto que o tecnofeudalismo emerge no Ocidente: não como
superação do capitalismo, mas como expressão extrema do domínio do
capital fictício sobre o capital produtivo.
6. Por que a China seguiu outro caminho
Ao contrário do Ocidente, a China nunca permitiu que o capital
financeiro se autonomizasse e subordinasse o capital produtivo. Desde o
início das reformas, a prioridade estratégica manteve-se na produção material:
indústria, manufatura, infraestrutura, energia e tecnologia aplicada à
produção. Ainda hoje, uma parte significativa do investimento total
concentra-se em setores produtivos, e a indústria continua a desempenhar
um papel central na criação de valor e no emprego.
Esta orientação materialista reflete-se na forma como as plataformas
digitais são integradas na economia. As grandes empresas tecnológicas
chinesas não substituem a produção por extração parasitária de renda,
como ocorre no Ocidente, mas funcionam sobretudo como instrumentos de apoio à circulação, logística, pagamentos e organização da produção. Quando tentam autonomizar-se como capital financeiro ou impor modelos rentistas, são rapidamente disciplinadas.
A razão fundamental desta diferença reside no controlo estatal material. No sistema financeiro chinês, apesar de existir uma diversidade de bancos, os grandes bancos estatais dominam a maior parte dos ativos bancários:
os seis maiores bancos comerciais estatais (ICBC, CCB, ABC, Bank of
China, Postal Savings Bank e Bank of Communications) detinham cerca de 41,7 % dos ativos de todo o sistema bancário chinês no final de 2023,
e o Estado permanece como acionista maioritário nestas instituições
através do Ministério das Finanças, da Central Huijin Investment e
outras holdings públicas.
Para além disso, o Estado controla sectores estratégicos fundamentais
da economia através de empresas públicas e sociedades de economia mista
que figuram entre as maiores do país, com as estatais a representar
mais de 40 % do PIB e a manter participação dominante em sectores como energia, telecomunicações e infra-estrutura.
Este domínio confere-lhe um poder real — e não meramente regulatório —
para intervir sobre o capital privado. Ao controlar o acesso ao
crédito, às licenças, às infraestruturas e aos mercados-chave, o Estado
pode impor limites efetivos à acumulação privada excessiva.
Deste modo, embora a China utilize uma economia de mercado com
exploração do trabalho e contradições próprias, não se desenvolve ali um
tecnofeudalismo à maneira ocidental. O capital tecnológico permanece
subordinado a uma estratégia produtiva e a um poder político estatal que
não abdica do controlo dos meios fundamentais da acumulação.
7. Crítica dialética a Varoufakis
A análise de Varoufakis descreve com precisão um fenómeno real do
capitalismo contemporâneo ocidental: a crescente centralidade das
plataformas digitais, a transformação do lucro em renda e a subordinação
de vastas camadas sociais a infraestruturas privadas. O erro não está
no diagnóstico empírico parcial, mas na sua universalização teórica.
Ao apresentar o tecnofeudalismo como uma nova etapa histórica
inevitável, Varoufakis transforma um resultado político e histórico
concreto numa suposta lei da tecnologia digital.
Do ponto de vista do materialismo dialético, esta inversão é
problemática. As formas sociais não derivam diretamente da técnica, mas
das relações materiais de poder, propriedade e produção.
O mesmo desenvolvimento tecnológico gera resultados distintos consoante
a correlação de forças entre capital, Estado e trabalho. O caso chinês
demonstra empiricamente que não existe qualquer automatismo tecnológico
que conduza do capitalismo ao feudalismo digital.
O tecnofeudalismo não é, portanto, a superação do capitalismo, mas uma forma específica da sua degeneração financeirizada,
própria de sociedades em que o Estado foi politicamente derrotado polo
capital financeiro e abdicou do controlo material dos meios estratégicos
da acumulação. Ao deslocar o foco da análise das relações de classe e
da luita política para a tecnologia em abstrato, a tese de Varoufakis
obscurece o verdadeiro terreno da transformação social revolucionária.
Assim, longe de ajudar a compreender como superar o capitalismo, o
conceito de tecnofeudalismo tende a naturalizar uma configuração
histórica particular, a abstrair da história e a idealizar, desviando a
atenção da tarefa central do marxismo: identificar as contradições
materiais reais e organizar a sua superação consciente.
8. As contradições internas do tecnofeudalismo
O denominado por Varoufakis tecnofeudalismo, apresenta contradições
internas profundas que colocam em causa a sua própria reprodução
histórica. A extração sistemática de renda sem produção de valor novo
tende a empobrecer a base produtiva da qual depende. Ao
capturarem uma parte crescente do rendimento de produtores,
trabalhadores e pequenos negócios, as plataformas digitais estrangulam a
acumulação real, reduzindo investimento produtivo, salários e
capacidade de consumo.
Este parasitismo manifesta-se empiricamente na precarização
generalizada do trabalho de plataforma, na compressão das margens dos
vendedores dependentes das Big Tech e na crescente concentração de
riqueza. Nos Estados Unidos, por exemplo, as grandes plataformas
tecnológicas concentram capitalizações bolsistas superiores ao PIB de
muitos países, ao mesmo tempo que empregam relativamente poucos
trabalhadores diretos, aprofundando a dissociação entre valorização
financeira e produção material.
Ao minar salários, destruir pequenos produtores e subordinar vastos
setores sociais a infraestruturas privadas, o tecnofeudalismo corrói as próprias condições da sua reprodução.
A redução do poder de compra, o endividamento crónico e a instabilidade
social tornam-se tendências estruturais, revelando um sistema que se
autodestrói ao explorar em excesso a sua base material.
Estas contradições geram inevitavelmente resistência social.
Trabalhadores de plataformas, pequenos vendedores e utilizadores
partilham interesses objetivos contra a extração rentista das Big Tech.
Como já indicava Marx, o capitalismo engendra o seu próprio contrário: a
negatividade surge do interior do próprio processo, criando sujeitos e
conflitos que apontam para a sua superação.
Por fim, o tecnofeudalismo agrava as contradições geopolíticas
do capitalismo global. A concentração de infraestruturas digitais em
poucas empresas sediadas em determinados países intensifica disputas
entre Estados, fragmenta mercados e acelera processos de desglobalização
tecnológica. Estas fissuras revelam que o tecnofeudalismo não constitui
um novo equilíbrio estável, mas uma forma historicamente transitória,
atravessada por tensões económicas, sociais e políticas crescentes.
Conclusão: para além do tecnofeudalismo
O tecnofeudalismo não é inevitável. Trata-se de uma forma histórica
específica do capital financeiro digitalizado, própria do Ocidente
capitalista e das suas democracias burguesas, nas quais o capital
privado acumulou tal poder material que conseguiu subordinar o Estado e
dominar sobre o poder político. Onde estas relações económicas se
alteram, altera-se também o resultado.
A limitação fundamental da tese de Varoufakis não está na sua descrição do presente ocidental, mas na forma como tende a naturalizar essa configuração histórica,
apresentando-a como uma nova etapa quase necessária do desenvolvimento
tecnológico. Do ponto de vista do materialismo dialético, esta leitura
inverte a relação entre técnica e poder: não é a tecnologia que produz
automaticamente novas formas sociais, mas as relações de propriedade, de
produção e de dominação política que determinam o uso social da
técnica.
O caso chinês demonstra empiricamente que o desenvolvimento das
plataformas digitais não conduz inevitavelmente à formação de feudos
privados autónomos. Com a mesma tecnologia, surgem resultados distintos
quando o capital financeiro permanece subordinado ao poder político e à
primazia da produção material. O tecnofeudalismo revela-se, assim, não
como uma superação do capitalismo, mas como uma forma específica da sua degeneração financeirizada, resultante de uma correlação de forças historicamente determinada.
O desafio histórico central não consiste apenas em diagnosticar esta forma de dominação, mas em identificar o sujeito e o terreno da sua superação.
Nem a descrição crítica do tecnofeudalismo, nem a constatação de que
ele não é inevitável, respondem por si mesmas à questão decisiva: como
podem os explorados do capitalismo digital organizar-se para transformar
materialmente estas relações económicas?
A resposta não passa por regulações tímidas nem por reformas
social-democratas do capitalismo digital, como as que pretende o
programa de Varoufakis, mas pola disputa do controlo material das
infraestruturas construídas polo trabalho coletivo. A apropriação social
das plataformas e a tomada dos meios de produção digitais constituem a
única via coerente, desde o marxismo, para ir verdadeiramente para além
do tecnofeudalismo.
Notas de fontes
41,7 % dos ativos bancários controlados polos seis maiores bancos com maioria estatal no sistema bancário chinês — dados estruturais compilados pola OCDE.
Estatais representam cerca de 40 % do PIB e sectores estratégicos sob controle estatal
segundo análises sobre a economia chinesa contemporânea.
https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/economia/estatais-representam-mais-de-40-do-pib-da-china/?utm_source=chatgpt.com
Tras la denominada “Operación
Determinación Absoluta” del pasado 3 de enero que culminó con el
secuestro de Nicolás Maduro (cada vez estoy más convencido de que
quienes ponen nombre a este tipo de operativos sufren de algún trauma
sexual que requiere con urgencia terapia de larga duración; algo así
como: “Operación Lacan Infinito”), las ambiciones de la administración
Trump sobre Groenlandia se han convertido en asunto de enorme
relevancia, tanto en la prensa internacional, como entre los gobiernos y
el grueso de la ciudadanía, especialmente de Europa y Canadá.
Hace sólo un par de días, mi madre me
llamaba desde España sumamente preocupada preguntándome qué iba a
ocurrir con todo esto e incluso, con cierto rubor, si yo creía necesario
hacer acopio de algún tipo de producto de primera necesidad. Mi primera
reacción fue tomármelo un poco a broma, al pensar en esa ternura ciega
que guía a toda madre cuando mira a su retoño y ve en él, desde la cuna
hasta la tumba, una especie de semidiós griego; en mi caso: una pitonisa
del dios Apolo, de la vetusta Delfos.
Pero inmediatamente comprendí que esta repentina conversión de mi madre a la cultura prepper era
un síntoma inequívoco de que, hasta en aquel alejado rincón de la Baja
Andalucía, la “gente sabe” (sí: la gente sabe, aunque no vote lo que tú
quieres, camarada) que el rasgo característico de esta época es la
incertidumbre y la impotencia frente a decisiones fundamentales que
toman otros en otros lugares, sin nuestro consentimiento, sin canales
institucionales y por la fuerza de los hechos.
Es el triunfo de la voluntad de
Riefenstahl, o, desde el otro lado de la trinchera, del estado de
policía de Foucault, o del tiempo de la dueñidad de Rita Segato. Mi
madre, y como ella millones de ciudadanos, saben esto y saben muy bien
que, en este contexto, nuestro horizonte de expectativas, nuestras
certezas sobre el mañana se reducen hasta prácticamente solaparse con el
presente. El fantasma de los Sex Pistols recorre Andalucía: No Future!
—Mamá, no tengo ni idea —le dije—. Lo que
sí sé es que la cosa está fea. Pero poco puedo decirte sobre qué
ocurrirá a medio plazo. Es cierto que hay mucha bravuconería en todo
esto. Pero, a la larga, me preocupan tus nietos.
—¡Hombre! ¿Por qué crees que te llamo?
II
Enero de 2026 y ¡en estas estamos! Qué
razón llevaba Lenin cuando decía aquello de que “en la historia hay días
que valen por años y años que valen por días”. El tiempo histórico no
es un quantum homogéneo. La historia frena y se acelera, cambia
de ritmo y a veces incluso se demora. Así, lo que hace un suspiro
hubiera sido sólo imaginable por cerebros defensores de la planicie de
la Tierra ocupa ahora el centro de tabloides y provoca desvelos de
abuelas y padres.
Esta desquiciante cascada de
acontecimientos desafía lo que hasta ayer considerábamos esperable y
normal. Y aunque lo normal y lo esperable no son sino el olvido de cómo
se normalizó lo anormal y lo inesperado, creo que esta época de locos
que se abre ante nosotros tiene algo de “venganza de los freaks”, cosa seria que espero lograr mostrar a lo largo del texto.
Los analistas sobre el caso de Groenlandia
se dividen en tres tipos (aunque pueden combinarse): a) los que dicen
que el motivo central es económico: recursos naturales y control de las
rutas marítimas cuando el Ártico, según los negacionistas de la Casa
Blanca, se derrita; b) los que dicen que el objetivo es geopolítico y
militar, porque el tablero se ha repartido entre tres grandes potencias y
Europa pinta lo que yo en el Dream Team; y c) quienes afirman
que en realidad se trata de otra locura megalómana de un presidente que
aspira a remodelar el Monte Rushmore y sustituir las esculturas de
Washington, Jefferson, Lincoln y Roosevelt por la suya, solo, mirando a
la lontananza con gesto grave, pero plagado de alegres cabras —digo yo
que debe haber muchas por esos riscos— haciendo cosas de cabras sobre su
pétreo copete.
Como siempre ocurre, “la verdad está en
las grietas”. Y es probable que en las mentes que han maquinado este
oscuro asunto se mezclen factores de una u otra índole. Pero permítanme
añadir algo distinto de lo que, sólo ahora y de manera marginal, se
empieza a hablar y que, sin embargo, considero sumamente relevante. El
enfoque que les propongo nos desplaza a un lugar bien alejado de las
gélidas aguas del Ártico. De hecho, su imagen evoca todo lo contrario:
las soleadas playas de California. En concreto, fijémonos en esa pequeña
región cuyo PIB supera al de países como Suecia, Austria, Noruega o al
de la propia Dinamarca: Silicon Valley.
III
Andaba yo en 2024 haciendo honores al
centenario del nacimiento de E.P. Thompson cuando de forma bastante
azarosa llamó mi atención una extraña noticia en la que se hablaba de la
inminente celebración de unos juegos olímpicos en los EE. UU., en los
cuales los atletas podían doparse a discreción sin los engorrosos
controles de los organismos internacionales.
Los Enhance Games, una oda al deporte convertido en rave, apelaba
a los principios de la libertad individual, de la propiedad privada y
del progreso de la ciencia. Entre sus promotores estaban el propio
presidente Trump, su hijo junior y un oscuro personaje del que hablaré un poco más adelante. Todo aquello me parecía un poco freak.
Así que, presa de la curiosidad y del morbo, comencé a meter las
narices en el asunto. Aquello era un vertedero. Una trama realmente
espeluznante cuyas ramificaciones me llevaban en direcciones
inesperadas. Una de ellas era Silicon Valley.
Llegó entonces aquel 5 de noviembre de
2024, cuando Donald Trump tomó posesión por segunda vez de la
presidencia de los EE. UU. De aquella fastuosa ceremonia todo el mundo
recuerda esa fotografía que pasará a la historia de la infamia del
republicanismo democrático: el rey escoltado por la plana mayor de los varones tecnológicos
de Silicon Valley. Esa imagen me hizo entender que era urgente
dilucidar en qué medida era cierto aquello que el papa Francisco,
inspirado por Ortega y Gasset (¡qué escándalo en el Opus Dei!), había sugerido ya en 2019: “estamos viviendo, no una época de cambios, sino un cambio de época”.
Tras excusarme solemne y respetuosamente
con E.P. Thompson —quien se me apareció en sueños para darme su
bendición— me dediqué a escribir una serie de cinco artículos en la Revista Común (aquí dejo
el primero) que ensayaban una primera aproximación a este asunto. En
concreto, mi atención se centraba en una tendencia específica en el seno
del trumpismo; una tendencia que no debe confundirse con los
MAGA, ni con los evangélicos, ni con Wall Street, ni con cualquier otra
de las que se dan cita en la heterogénea coalición trumpista: el
movimiento neorreaccionario.
Conocido por su acrónimo NRx, fue
tematizado por Nick Land —ese delirante deleuziano de derechas afincado
en Shangai y padre del aceleracionismo— bajo el término Ilustración Oscura.
He dedicado el 2025 a estudiar las ideas de este proyecto, que se
presenta como una revisión crítica de la modernidad occidental. También
me he dedicado a reconstruir lo que denomino como la reactoesfera,
espacio donde se dan cita blogueros y académicos marginados,
aventureros digitales, comunidades incel, “racistas científicos” que
apelan a la eugenesia y a la biodiversidad, tradicionalistas
religiosos, housewifes antifeministas, tecno-futuristas libertarios y pensadores políticos “jacobitas”.
Este pequeño mundo, plagado de personajes
bizarros e ideas desquiciadas, posee una lógica sociológica muy
particular y es fruto de un contexto histórico específico. Y si bien no
cabe hablar de un movimiento sistemático y organizado, resulta sumamente
relevante señalar el estrecho vínculo entre algunos de sus integrantes
más destacados (Curtis Yarvin, Nick Land, Hermann Hoppe, Anatoly Karlin y
Steve Hsu, entre otros) e importantes sectores de Silicon Valley que
cuentan con influencia determinante en la Casa Blanca.
Durante la década del 2000, Silicon Valley se presentaba a ojos del resto de los mortales como un nido de freaks cuya
inteligencia analítica era inversamente proporcional a su inteligencia
emocional. De este curioso mundo surgieron dos lecturas contrapuestas:
la amable y simpática que, con series de éxito como Big Bang Theory o Silicon Valley,convertían
la neurodivergencia en un asunto entrañable; y la oscura y terrorífica
que, poco después, Nick Land desarrollaría en su ya clásico TheDark Enlightenment, donde
discriminaba a la humanidad entre dos tipos fundamentales: autistas que
inventan cosas, y gente que usa esas cosas que no entiende y se burla
de los autistas que las inventan. Pero entonces, estallaron la gran
crisis de 2008 y la pandemia de 2019. La hora de “la venganza de los freaks” había llegado.
Cedric Durand, en su imprescindible Tecnofeudalismo. Crítica de la economía digital, expone cómo las Big Techs llegaron
a ocupar un lugar decisivo dentro de la estructura del capitalismo
norteamericano, especialmente tras 2019. Con el libertarismo como hilo
conductor, presenta una genealogía de Silicon Valley que transita de la
revuelta hippie de los 1970, al neoliberalismo de los 1990 y
desemboca en posiciones antiliberales en los 2010. Ahora, en la cúspide
del poder económico, Silicon Valley prepara el asalto al poder político y
cultural.
En esta empresa, un sector particular de
Silicon Valley destaca sobre el resto. Se trata de una serie de agentes
económicos vinculados a los fondos de inversión de riesgo, la
ciberseguridad, la IA y las criptomonedas. Estamos hablando, entre
otros, de Palantir(Peter Thiel y Alex Karp), SpaceX-Starlink (Elon
Musk), Pronomos Capital (Patrick Friedman, Balaji Srinivasan),
a16zCapital (Marc Andreessen y Ben Horowitz) y Oracle (Larry Ellison),
por poner algunos ejemplos. Este sector de Silicon Valley es el que se
vincula con agentes destacados de la reactoesfera y, por medio de ellos,
conecta con el proyecto de la Ilustración Oscura.
IV
En líneas generales, la Ilustración Oscura
parte de la tesis de que el actual sistema social y político está
dominado por una elite intelectual-burocrática que concentra el poder
ideológico y dirige las políticas públicas. Esta especie de casta
brahmánica, según dicha tesis, es producto de las grandes universidades y de las empresas culturales mainstream, desde Harvard hasta Hollywood, pasando por el New York Times.
Curtis Yarvin la denomina “The Cathedral”, y clasifica a sus miembros
como herederos de un modelo cultural y político que hunde sus raíces en
la Ilustración.
La Ilustración es para la neorreacción una
perversión de la modernidad occidental, perversión que tiene su origen
en la secularización de la revolución calvinista, representada por
Rousseau, Kant y Hegel, quienes forjaron los fundamentos intelectuales
del universalismo republicano. Los siglos XIX y XX son testigos de cómo
este proyecto se extendió adoptando formas nuevas: el socialismo, la
política de masas, la democracia, el estado redistributivo, el New Deal, la lucha los derechos civiles, los movimientos de descolonización, etc.
En el plano internacional, la Ilustración
se traduce en la ambición por construir una sociedad de naciones dotada
de instituciones globales con capacidad para mediar conflictos y regular
los tratados. Comunidad de iguales que reconoce, sin embargo, el
liderazgo norteamericano, hegemón que asume esta responsabilidad histórica, siguiendo la estela marcada por Woodrow Wilson tras la I Guerra Mundial.
Este sistema, de bases religiosas y
humanistas, fundado sobre la errónea idea de progreso e igualdad, es,
para los neorreaccionarios, injusto, ineficaz y, lo más importante,
inmodificable. Por este motivo la neorreacción no debe confundirse con
el conservadurismo. El conservadurismo asume el marco discursivo y moral
del progresismo ilustrado, aunque intenta retrasar en lo posible los
cambios que impone el marco de sentido dominante. Los neorreaccionarios,
en cambio, rompen con este marco y renuncian a la política de masas.
La estrategia de NRx, nos recuerdan Yarvin
y Land —tergiversando el clásico de Albert Hirschman (aunque sin
citarlo)—, es la de la salida, no la de la voz. La voz es la dialéctica:
la creencia en que los conflictos pueden resolverse en un futuro
mediante la política, lo que fundamenta precisamente la idea de
progreso. La salida, en cambio, niega esta creencia y sustituye,
digámoslo así, el tiempo por el espacio.
De lo que se trata, frente a la dialéctica
política, es de romper el orden social e internacional mediante la
fragmentación, mediante la creación de una red estilo patchwork;
es decir, de pequeñas organizaciones soberanas, ciudades estado o
comunidades culturalmente homogéneas. Hermann Hoppe no duda en asociar
la estrategia del exit con conceptos como los de secesión y segregación, en absoluto inocentes en el marco de la cultura política norteamericana.
Son varios los proyectos que, bien en
términos programáticos, bien como experimentos prácticos, se están
llevando a cabo inspirados en estas ideas y financiados con dinero de
Silicon Valley. Patchwork y Urbit (ideados por Curtis Yarvin), el
Seasteading (proyecto de plataformas marinas financiado por Pronomos
Capital), la colonización de Marte de SpaceX, o la creación de
ciudades-corporaciones, como Prospera en Honduras (dirigida por un fondo
privado dirigido por figuras como Peter Thiel o Marc Andreessen) son
sólo algunos ejemplos significativos que parten del principio de exit. Por
eso, no es casualidad que se desarrollen en zonas con vacíos legales,
que escapan a la regulación estatal y de organismos internacionales.
Lugares donde la utopía neorreacionaria puede arrancar de cero, sin
necesidad de implicarse en la política y tener que hacer uso de la voz.
El neorreacionario vota con los pies. Pero ¿qué tiene que ver todo esto
con Groenlandia?
V
Praxis es una empresa fundada en 2019 por Dryden Brown y Charlie Callinan, que se autodefine como una nación digital. Según su página web,
cuenta con 151.068 praxianos y un valor de 1,117 mil millones de
dólares. La ciudadanía se obtiene mediante el pago de una cuota que da
acceso a una “Zona Económica Especial”, denominada “zona de
aceleración”, la cual se apoya en cuatro pilares fundamentales: IA,
criptomonedas, desregulación energética y biotecnología.
El modelo institucional sigue el esquema
de las DAO (Decentralized Autonomous Organizations), comunidades
digitales cuyas reglas de gobernanza están codificadas en smart contracts mediante blockchains,
ejecutándose automáticamente sin intermediarios humanos. Inspirada en
utopías libertarias, las DAOs han sido criticadas por varios autores que
señalan su deriva hacia modelos autoritarios y tecnocráticos.
Pues bien, el punto es que Praxis está
interesada en desarrollar ciudades inteligentes en Groenlandia. Según
Brown, quien ya sondeó la compra de territorios a las autoridades
groenlandesas, el consorcio ya cuenta con una financiación de 525
millones de dolares. Entre los inversores de Praxis se encuentran
—redoble de tambor—: Peter Thiel, Patrick Friedman, Balaji Srinivasan,
Marc Andreessen, Sam Altman, entre otras figuras destacadas de Silicon
Valley.
Es más, recientemente Donald Trump ha
designado a Ken Howery como embajador en Dinamarca y encargado de
dirigir las negociaciones para la adquisición de Groenlandia. ¿Y quién
—dirá usted— es este tal Howery? Pues —de nuevo redoble de tambor— otra
de las figuras destacadas de la reactoesfera de Silicon Valley: miembro
fundador de PayPal, junto con Peter Thiel y Elon Musk, inversor de
SpaceX, fundador, junto con Thiel y Alex Karp, de Palantir, y director
de Founder Fund (un fondo de capital de riesgo enfocado en startups) junto con Luke Nosek.
Groenlandia, que cuenta con la densidad de
población más baja del mundo (0,026 personas por km²), puede
considerarse entonces como un enclave excepcional para desarrollar la
estrategia de salida que caracteriza al movimiento neorrecacionario; en
otras palabras: Praxis = Exit.
Pero aún cabría preguntarse por el sentido
que tiene todo esto. ¿No estaremos ante una excentricidad más de
ultrarricos que sólo quieren asilarse y desentenderse de la suerte que
depare al resto de la humanidad? Naomi Klein y Astra Taylor han señalado que
la élite estadounidense, y especialmente la de Silicon Valley, ha caido
presa del síndrome Armagadeon. La salvación universal se ha vuelto
imposible: Praxis en Groenlandia no sería sino un arca de Noé para
ultrarricos, “los elegidos” para salvarse del diluvio universal que se
aproxima.
No termino de compartir este diagnóstico, como tuve ocasión de señalar en la revista Sin Permiso,
en respuesta al artículo de Klein y Taylor. No creo que la utopía de
Praxis en Groenlandia se reduzca a una cápsula de escape frente a un
mundo que colapsa, una suerte de Mayflower tuneado con GPS y motor
SpaceX. No, Praxis es algo más.
Es otro de esos experimentos del nuevo
orden neorreacionario por venir. Son pruebas del sistema operativo que
se pretende instalar cuando llegue el momento de resetear la vieja
versión que ahora disponemos. Nick Land habla de “hiperstición”:
ficciones que se hacen reales al actuarlas, “visitas” del futuro que
configuran el presente. En otras palabras, y sin tanta pirotecnia
aceleracionista, Praxis es el ensayo de una oikocracia, de una
oligarquía de propietarios sustentada sobre cadenas de dependencia
personal, ciudadanos de segunda y trabajadores manuales sometidos a
condiciones de semiservidumbre.
VI
Resulta pertinente recordar, a contrapelo
del argumento de Klein y Taylor, que no debemos realizar una lectura
literal del discurso neorreaccionario, especialmente cuando se solapa
con el libertarismo. El sueño: fragmentar el sistema de estados actual
en un patchwork de soberanías privadas, donde
ciudadanos-propietarios gestionen un consejo de administración mediante
protocolos tokenizados, donde la aceleración tecnológica produzca por sí
misma prosperidad y donde se goce de seguridad mediante la combinación
de un estilo de vida homogéneo con mecanismos de gubernamentalidad
algorítmica. Quien no esté de acuerdo, aún conserva, según Friedman, el
único derecho humano que lo asiste: el derecho de salida.
Pero las cosas, qué duda cabe, no son así
de simples. Este sector de Silicon Valley al que nos hemos referido
quizás pueda obnubilarse con las fantasías de Ayn Rand y con las
pesadillas de Murray Rothbard. Pero su reino no deja de ser de este
mundo, pues sus intereses de clases están estrechamente vinculados a la
suerte del Estado y del imperio estadounidense.
Groenlandia es de interés nacional,
primero por sus recursos económicos, necesarios para la industria de
Silicon Valley (capacidad para albergar los centros de datos de la IA
con mayor consumo energético y minerales para fabricar baterías, chips,
conductores, etc.). Por eso, incluso “progres” de Seattle como Jeff
Bezos o Bill Gates ya han invertido el aguinaldo en Kobold Metals,
empresa especializada en explotar tierras raras que ya trabaja en
Groenlandia.
Pero, aún más importante, Groenlandia es
una cuestión de seguridad nacional por motivos militares y geopolíticos.
Aquí es donde los progres dan paso a los neorreacionarios de Silicon
Valley: Andreessen Horowitz, Palantir, Anduril, Starlink, Oracle
constituyen el sistema de ciberseguridad y minería de datos del que
depende en gran medida la estrategia estadounidense de seguridad
nacional, desde la CIA hasta la NSA, pasando por la Fuerza Aérea y a
Fuerza Espacial, o el Cuerpo de Marines.
Recientemente Daniel Arjona escribió un interesantísimo artículo en El Arjonauta donde desgranaba el papel esencial que desempeñó Alex Karp, CEO de Palantir, en la odiosa “Operación Determinación Absoluta” del pasado 3 de enero. Según Arjona el rol de Karp y de Palantir fue
el de procesar el inabarcable ruido generado por la montaña de datos
que podría permitir la captura de Maduro. “Karp no vende datos, sino la
capacidad de entenderlos”, afirma Arjona. Y es que la gubernamentalidad
algorítmica requiere de algo más que materia prima. Cuando dispone de
ello es capaz de adelantarse al porvenir: el sistema “no sólo dijo a los
comandos dónde estaba Maduro; les dijo hacia dónde iba a moverse”. De
nuevo nos topamos con el No Future! Pero ahora no por exceso de incertidumbre, sino por su ausencia absoluta. En Venezuela, los Sex Pistols dan paso a George Orwell.
VII
Marc Andreessen y Peter Thiel son
declarados defensores de la anexión de Groenlandia. Sobre los motivos
económicos y militares que justifican esta postura ya se ha hablado y se
hablará aún más. De lo que se hablará menos es del objetivo político
que hace apetecible Groenlandia para este sector reaccionario del
tecno-capitalismo norteamericano. Y es que esta tierra a la que arribó
en el siglo X Erik el Rojo (ironías de la historia), y a la que puso por
nombre “Tierra Verde” (Erik, además de rojo, era un socarrón), es un
espacio privilegiado para experimentar la utopía neorreaccionaria por la
que suspiran estos freaks con ansias de venganza e ínfulas imperiales.
Sigo sin poder responder a la pregunta de
mi madre, que al fin y al cabo es la pregunta que realmente importa.
Pero de lo que sí estoy seguro es de lo triste que lucen las pobres
almas de los resentidos con poder, en su infantil megalomanía. El caso
de Groenlandia representa muchas de las contradicciones del mundo en el
que hoy nos encontramos. Oponerse a su anexión es también oponerse a
esas utopías que nos hundirán en los tiempos oscuros.
Alejandro Estrella González
Es profesor-investigador titular del Departamento de Humanidades de la
Universidad Autónoma Metropolitana de México y pertenece al Sistema
Nacional de Investigadores. Ha publicado obras como «Clío ante el
espejo. Un socioanálisis de E.P. Thompson». Universidad de Cádiz-UAM.
Cuajimalpa (2011); «Libertad, progreso y autenticidad. Ideas sobre
México a través de las generaciones filosóficas». Editorial Jus (2014) y
ha editado la selección de textos «E. P. Thompson. Democracia y
socialismo». Edición crítica, UAM-Cuajimalpa/CLACSO (2016)